quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os idiotas do futebol moderno

Cruzmaltinos desse planeta,

nem estava me programando para escrever hoje, mas ao ler o texto esportivo do Terra Magazine eu tive que me indignar e gritar "Chega!".
No mundo do futebol, várias mentiras são repetidas eternamente como se fossem verdades. Como aquela de que só o calendário europeu salvaria o futebol brasileiro. Balela!
Agora me vem um retardado que nunca deve ter sentado o rabo no cimento de uma arquibancada falando que está havendo um "re-alinhamento dos clubes grandes do Brasil" baseado na capacidade finaceira destes. Quanta bobagem. O engravatado em questão tem pós-Graduação na Espanha, país cujo futebol se assemelha ao de Minas Gerais, com a diferença que o Atlético e Cruzeiro deles é mais rico. Talvez isso explique a analise estúpida do consultor.
Ele vomita frases de efeito como "Todo mundo fala que aqui é diferente, que pode ter sete, oito, dez campeões, mas nunca vi isto acontecendo". Não vê porque é cego. Ao início deste campeonato, qualquer um que apostasse na vitória do Flamengo seria ridicularizado. Nos últimos 10 anos, no Brasil, exatamente SETE clubes diferentes conquistaram a taça. Amir Somoggi MENTE. Ele diz: "Se São Paulo ou Flamengo for campeão, fica a fotografia igualzinha à da Europa." Nem na Espanha, onde o almofadinha estudou, isso é completamente verdade: nos últimos 10 anos, foram quatro clubes campeões. Pelo método de análise do infeliz, o La Coruña, campeão da temporada 99/2000, não teria chances. A tal "fotografia" não existe. E ainda existe uma possibilidade boa de não dar nem São Paulo nem Flamengo, e a tal análise vai pra onde ela deve: pro ralo.
Curiosamente, entre os 7 times que o "jênio" aponta como os "novos grandes", está o Grêmio, que ganhou seu último título nacional (uma Copa do Brasil...) em 2001 e esteve na segundona em 2005. Nesse mesmo período, o Atlético Paranaense teve um desempenho mais vitorioso, mas fica de fora. Mais uma prova de que dinheiro é só papel: sozinho ele não cria um grande clube (teria alguma relação com a inclusão do tricolor gaúcho o fato da firma que o consultor representa ter escritório em Porto Alegre?) .
Nem falo do Vasco, que está em sua década negra, mas o Santos, que ganhou 2 brasileiros nessa última década, é colocado, junto com a gente, num esquadrão intermediário...
Quanto mais esses almofadinhas tentam se meter no mundo da Bola, mais bobagem a gente vê. Talvez seja essa a marca do futebol moderno.

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PS: Meu irmão - tricolor ferrenho - fez uma reclamação que é justa. Jogo em dia de semana às 16h, feriado ou não, é dureza. Sem vender ingresso no dia então, é pra ninguém ir! E qual será a justificativa para o Volta Redonda x Flamengo ser às 19h30, se o jogo acontece na cidade do aço, onde não é feriado!? E pro clássico de domingo começar às 19h30, no Engenhão!?! Alguém deve estar muito interessado em acabar com o Carioca...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A tal da política...

Cruzmaltinos desse planeta,

Estava aqui esperando o resultado, e infelizmente o pior aconteceu: a chapa Eurico/Godoi saiu vitoriosa no Conselho de Beneméritos. Isso pode prejudicar muito o Club. Embora esse cargo não dê acesso ao cofre para o ex-presidente, é uma posição privilegiada para sabotadores declarados como o Sapo.
Muitas das decisões do Club têm que ser aprovadas pelo conselho: desde as previsões financeiras até as alterações no uniforme para 2010. Eurico se valeu de um colégio eleitoral reduzido e antiquado, que - com essa votação - declara apoiar os tempos de desmandos e poucas esperanças. Nos resta agora rezar para que o presidente-ídolo consiga driblar mais esse adversário...

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Nem comentei o pós-jogo pois todas as previsões que eu havia feito se concretizaram: jogo duro, pequenas confusões na torcida, conquistamos os três pontos. O que não foi surpresa (infelizmente) mas eu ainda não havia previsto foi a péssima atuação do juiz. Distribuiu cartões em modo randômico e acabou nos prejudicando nesse (com a expulsão de Pimpão ainda no primeiro tempo) e nos próximos jogos. Oito jogadores pendurados, inversão de faltas, um horror. Até quando vamos ter que aturar isso.

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Merecem destaque no jogo de sábado:
- Souza: se redimiu da apresentação apagada no amistoso contra a seleção Capixaba;
- Philippe Coutinho: Cada vez melhor, mostra que não tem medo de zagueiro. Depois que fizer o primeiro, ganhará segurança pra se firmar como craque também no profissional;
- Fagner: Fez o gol, quase marcou mais um e mostrou que Elder Granja terá vida dura nesse time.
- Fernando Prass: De uma segurança invejável, é o melhor goleiro do Rio nesse momento.

Os demais tiveram lampejos, mas ainda têm que render mais. Léo Gago colocou uma bola excelente pro Coutinho, mas não se encontrou na defesa - levando algumas broncas do nosso goleiro. Coisas que se resolvem com o tempo.

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Dois outros destaques, fora de campo, são bandeira da Pequenos Vascaínos ea nova música da torcida, criada pela GDA: "Eu nasci amando o Vasco demais".
A bandeira é gigantesca, linda, como deve ser tudo que se refere ao Vasco.



Já a música me surpreendeu. Quando eu ouvi, há algumas semanas, achei a letra muito longa, o que poderia dificultar a sua execução. Mas, no estádio, vi que a torcida aprende rápido e que a música vem redondinha.


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Muita polêmica pela visita de Carlos Alberto a seu irmão, Fernando, que joga pela mulambada. Sinceramente, não vejo nada demais. É claro que o presidente tem que recriminar - é papel dele fazer fita pros mais afoitos - mas acredito que vivemos numa era de profissionalismo. Como eu vi no orkut: daqui a pouco vão pedir pro capitão romper o contrato com sua família...


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A volta de Élton é uma boa notícia, mas não chega a empolgar. O atacante tem que vir com a consciência de que não tem posição garantida e de que terá que suar a camisa pra conseguir um lugar ao sol. Pessoalmente, prefiro Rafael Coelho a ele, e Robinho ou Pimpão como companheiro de ataque, formando o já clássico esquema de um atacante de área, mais forte, e outro - mais leve - jogando mais aberto. Dodô!? Por mim, não tinha sido nem contratado...

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Acredito em vida mais tranquila no Clássico da Paz, amanhã. O time do América não bota muito medo e a tendência é que nosso time vá melhorando cada vez mais. Não vão ser dois ex-ídolos da torcida que vão atrapalhar nosso começo de ano...

Começamos bem o ano

Depois de hibernar por pouco mais de três meses, aqui estou de volta neste saboroso espaço para escrever sobre o meu Fogão. E não poderia haver melhor momento para isso do que após a vitória na estreia. Confesso que eu estava desesperançoso com o Glorioso para este estadual. Achava que o Alvinegro seria a quarta força da competição. Mas depois de ter visto um time aguerrido, como raríssimas vezes eu vi no último campeonato Brasileiro, depois de uma atuação impecável de nosso maestro Lúcio Flávio e uma estreia de gala do Herrera, percebi que o Botafogo vai dar trabalho neste campeonato.

Pensem bem, se mesmo com essa diretoria incompetente que não havia conseguido montar um time às vésperas do início da competição, com algumas contratações bem meia-boca, sem a estrela da companhia, El Loco Abreu, jogando fora, num gramado horroroso, conseguimos vencer com propriedade, imaginem quando todos os titulares estiverem em campo e o time estiver entrosado.Eu não estava acreditando, mas depois do 3 a 2 contra o Macaé, comecei a sonhar com a conquista de nosso 20 º Carioca.

Obviamente, não gostei de tudo que eu vi. A dupla de zaga é fraca. Apesar de o Wellington ter sido um dos heróis da nossa fuga do rebaixamento no último Brasileiro, ele é um zagueiro muito limitado. Outra coisa, deixar Somália no banco para colocar Fahel é de uma estupidez profana. Outra besteira é querer ressuscitar o Eduardo. O cara é displicente, peladeiro e nem joga tanta bola assim. Realmente eu não consigo entender o que se passa na cabeça do Estevam Soares. Não posso me esquecer de elogiar a grande estreia do nosso goleirão. O Jefferson cata muito, perde apenas para o Fernando Prass, entre os goleiros dos times cariocas.

Para finalizar eu gostaria de destacar a atuação de mais dois jogadores. Marcelo Cordeiro e Caio. Um amigo meu vascaíno disse que o lateral não jogava nada e contrariando a sabedoria cruzmaltina, Cordeiro teve uma boa atuação com direito a gol. O outro é o atacante Caio que entrou no início da etapa complementar no lugar do Jorge Luiz. Fiquem de olho. Esse moleque joga muita bola e ainda dará muitas alegrias para a massa alvinegra.

Rapidinhas

El Loco não pega o Friburguense na quinta e deve estrear apenas contra o Vasco no próximo domingo no Engenhão.

Rodrigo Beckham está negociando sua volta ao Fogão. Não vejo com bons olhos seu possível retorno. Se não resolvia antes, vai resolver agora, 11 anos mais velho???

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O amor é incondicional!



Provavelmente o clichê do amor vai figurar as páginas dos jornais dramáticos por estes dias. E aqui, por que não, também uma versão para o trocadilho. A nova contratação RubroNegra pode até ser um mistério, mas há muito já tenta força a barra para jogar no, segundo o sábio Athur Muhlenberg, o Doutrinador Flamengo. Entretanto, o ano realmente só começara na segunda fase da Libertadores. Meu coração brioso e inchado fará todo o esforço Zen para não se iludir com o 1º turno Carioca, nem com a 1ª fase das Américas. Deixar de acompanhar seria impossível, mas irei olhar realmente ressabiado. Tenho até um certo receio de ineditismo. Prefiro que o Fla não ganhe o Tetra, mas que se classifique, ao menos, para as Quartas. Os últimos três anos o Mengo fez doer minhas vísceras sendo eliminado pelo quem? Defensor - URU e pelo quem? América do México. Fora o gol do Andrezinho, ano passado.
Havia um tempo em que as competições mata a mata eram nossa especialidade, porém, excepcionalmente nos últimos tempos, só no Carioca é que triunfamos, muitas vezes na loteria divina dos penaltis, ludopédio esse em que sobramos (são 40 milhões isolando/segurando a bola). Mas agora, diferente de outrora, duas coisas que faltavam irão, em tese, estar em campo: um camisa 10 veterano que tem a manha de jogar entre estrangeiros, que chama o time para si e coloca a raça na chuteira; a outra, é evidente, o poderio do ataque que desde a invenção dos sonhos (Romário, Bebeto, Edmundo ou Sávio) não figurava tão encaixado com o verdadeiro futebol, com aquele que gosta de ver gol bonito e espetáculo!
Eu não queria acompanhar esse início por preguiça e por saber que esse aí ainda será um simulacro distante do que será a glória RubroNegra. Há três anos estava preocupado com a força esmirrada do Mengo e por isso passei horas caçando um bar para ver a estréia diante o Potosí. Atualmente, não me dou esse luxo pois posto todos os resultados do ano em flamengo.blog.com e não me olvido de nenhuma partida. Se pudesse, ai sim, me transportaria para a segunda fase, naquela em que sobram apenas os guerreiros e tenho certeza de que até lá meu sonho de vê-lo coquistar o Continente, não se dará como o da última vez, onde faltavam 4 dias para nascer e espectei tudo do ventre RubroNegro de minha mãe.

Flamengo 2 x 0 Cobreloa (Chile) - 24-11-1981 - Estádio Centenário - URU


Esfarrapadas

Cruzmaltinos desse planeta,

é triste ter que tocar nesse assunto na véspera de nossa estreia, mas não podemos deixar a mentira imperar e o mal vencer. A resposta que a oposição deu à denúncia do nosso departamento jurídico é no mínimo um insulto à nossa inteligência. Dizer "Azar de quem pagou, sorte de quem recebeu a diferença" é não ter a menor vergonha na cara. Vamos aos fatos:

1) Se Paulo Miranda valia U$2 milhões, porquê o Bordeaux pagaria mais que o dobro por ele?
2) Quem estabeleceu o preço de venda foi a quad...(ops!) a equipe do ex-presidente.
3) Quem seriam esses "atravessadores"? Alguém se surpreenderia se fosse um certo ex-dirigente com sobrenome igual ao do jogador?
Ou seja: não tem desculpa. Ou Eurico foi safado, ou foi incompetente. Ou, o mais provável: as duas coisas. O conselho de Beneméritos do Club de Regatas Vasco da Gama não pode ser presidido por este, que várias vezes foi chamado de "câncer do futebol brasileiro".

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Passando por isso, o time está nos últimos ajustes para a estreia contra o Tigres. O jogo deve ser duro. Nem tanto pela qualidade do adversário, mas pelo pouco tempo de preparação do escrete cruzmaltino. O time de Xerém está treinando desde novembro, enquanto nós só nos reunimos há 10 dias... Mas vale a pena acreditar. O resultado virá.

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Alguns ficaram chateados, mas eu pouco liguei para a eliminação do Vasco na Copinha. Um campeonato bizarro, de uma categoria que não existe mais, que exclui jogadores que se profissionalizaram (justamente por se destacarem) e que acontece quando a seleção sub-16 e 17 estão convocadas não é pra ser levada a sério. Só serve pra times de aluguel do interior de São Paulo colocarem seus "garotos" de identidade adulterada na vitrine...

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Outros ficaram preocupados com o empate no primeiro amistoso do ano. Assim como diz uma opção de preleção do Football Manager, o importante era a performance, não o resultado. De maneira geral, o time se comportou bem. Destaque positivo para Coutinho, Pimpão e Robinho. Por incrível que possa parecer, Ernani jogou bem! E Fumagalli mostrou que não quer ficar só compondo elenco. Os destaques negativos ficam por conta das atuações pífias de Souza (um jogador que eu gosto, mas estava num dia pouco inspirado), Caíque (que parece não conseguir virar o pescoço e olhar para os lados) e Fernando. O zagueiro conseguiu complicar o único lance de perigo da seleção capixaba, que acabou resultando em gol. Ainda bem que Martinelli e Gustavo chegaram ao time...

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Fontes seguras me dizem que duas facções de uma grande Torcida Organizada do Vasco estão planejando se pegar nos próximos jogos. Briga entre torcedores do mesmo time é coisa da mulambada, meu povo. Parem com isso!

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Papel de vascaíno nesse sábado é apoiando o time. Os corneteiros do mal podem ficar em casa.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Lubrificando as engrenagens

Caríssimos tricolores, primeiramente desejo-lhes um ano com muitas vitórias, menos sofrimento e mais títulos para o Fluzão. Nos últimos anos temos figurado entre os grandes clubes do Brasil, em decisões importantes desde 2007, sejam elas nacionais ou internacionais.

Ao contrário das duas frutas do blog - uma rubro-negra e outra vascaína - não quero me apegar ao passado, nem apelar para a emoção. Apenas me reservo o direito de dizer que sou de uma FAMÍLIA TRICOLOR. O Fluminense está no meu sangue. Não fui influenciado pelo vizinho e muito menos seduzido pela maioria burra.

Voltando ao mundo real, nosso foco deve ser o presente. E estamos bem. Discordo de quem diz que o Fluminense não tenha time para brigar por títulos. Nosso escrete foi o quarto clube que mais pontuou no segundo turno do Brasileirão. Pescaríamos uma Libertadores se nosso primeiro semestre não fosse tão desastroso. Sem contar que a reação começou a apenas nove rodadas do fim. A situação seria outra caso Cuca, Tenório, Bittencourt e Branco chegassem um pouco antes às Laranjeiras. E outros tantos fossem afastados. Além disso, jogamos duas competições simultâneas, numa das maiores sequências de vitória da história do futebol brasileiro.


Das novidades, Julio Cesar e Everton merecem destaque. Tanto que já figuram entre os titulares. O lateral ex-Goiás jogou muito ano passado, merecidamente eleito o melhor na posição. E Everton se encaixa no projeto de Cuca, que busca jogadores polivalentes. Volante, também atua como meia. Thiaguinho, Willians e Leandro Eusébio vieram compor elenco, mas com qualidade para vestir a camisa do Fluzão. Saídas de Paulo Cesar, Roni, Luiz Alberto, Fabinho, Wellington Monteiro e Leandro Amaral também são excelentes reforços.

Com a base mantida e poucas mudanças na escalação, levaremos alguma vantagem nesse início de certame. Na verdade, o Carioca será decidido entre Fla e Flu. Não vejo de outra forma. Os mulambos estão animadinhos com a conquista do Brasileirão e têm um dos melhores elencos do Brasil. Estão entrosados, como nós. Entretanto, basta a soberba burra para afundá-los em 2010. Enquanto isso, Vasco e Botafogo pouco assustam. O primeiro tem um time inteiro novo. Se funcionar - o que não acredito - só lá para abril. E Botafogo piorou em relação à 2009. É o primo pobre do Rio, que se cuide com os pequenos.



Domingo começa! Já vejo a melhor torcida do mundo cantando e empurrando o time até o último segundo. O show tá começando...

ST
(estou viajando a trabalho, ilustrarei o post no final de semana)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

As novas boas novas: Ele voltou!



Enxergar o mundo do alto foi algo pertencente ao divino por séculos. Mas no entre-lugar do sagrado e do profano, indivíduos, cidades, reinos, entidades se sentiram como se estivem em uma plataforma acima e de lá viam todos os outros que pelo parto pareciam iguais, mas que se distanciavam no caminhar da vida, nas escolhas e possibilidades abertas pela própria individualidade, sangue e destino. Por um outro lado, existiram homens e mulheres,  populações e acontecimentos que se transformaram em fatos sociais lembrados até os dias atuais, mas que não pareciam deter um poder tão óbvio ou que seus esforços não foram necessariamente universais e conscientes. Algo como um Carlitos histórico. Tivemos, inclusive, os que pensavam estar tão acima que se achavam um outro gênero além dos demais. Ou o inverso (nem tanto) também, vários indivíduos e suas sociedades condenaram povos isolados, como se só os subjugados fossem de uma espécie outra. Quer exemplo mais simples e brasileiríssimo que a escravidão, seja do negro ou do índio?
Na modernidade, o futebol é aquilo que nos permite olhar do alto sem ser necessariamente uma questão de sangue - meu pai era Fluminense, meu irmão é Vasco, minha filha foi Botafogo alguns meses; ou de berço - o Flamengo tem o maior número de torcedores do Brasil, isso todo mundo sabia, mas ninguém desconfiava que ele também tem o maior percentual dos extremos econômicos e educacionais. Dentre os clubes de futebol no Brasil, os mais pobres e os mais ricos brasileiros torcem para o da Gávea. Saquem a pesquisa! Não é só o fim de um mito de que flamenguista é pobre, ladrão, marginal. Somos tudo isso e todo o resto, além é claro, da polissemia. A marginalidade flamenguista pode ser beatnik também, por que não? O pobre ser sábio e o ladrão, justo também não é problema entre nós. Tem a ver mesmo com a individualidade, com o coração/mente de cada um. Sucessivamente, cada um faz o que pode com esse sentimento. Somos, claro, os mais chatos, porém os mais legais. E isso que importa, tem para todo gosto e variado, é orgulhoso e humilde, o alfa e o ômega, o ser e o não ser. Tem Flamanguaça, Flagay, Flaconha e até uma que não veste o uniforme rubronegro, se bobear até poderia cuspir num, mas não consegue viver sem.




Um destino místico-religioso nos acompanha

E é no batalhão de outros, daqueles que ocupam o inferno sartreano que venho propor o oposto do iniciado por aqui. Ao invés do divino olhar só pelo alto, quem sabe ele não seja visto, justamente, por debaixo, pelas entrelinhas, nos processos simbólicos construídos pelo aparente acaso futebolístico, pelas pequenas histórias contadas por cada um em seus íntimos, nas mesas de bar, da casa, no trânsito, no encontro entre desconhecidos que se reconhecem pelo vermelho e preto. Pensem na história sagrada construída com o Flamengo em todos estes intensos 30 anos. Quando nasci, em poucos dias o Fla fora campeão carioca, da Libertadores e seria do Mundial em Tóquio (13/12/1981). É bem provável que meus pais tenham achado que eu estava chorando assustado no berço, mas estava, na verdade, louvando o messias de quintino. Antes de conhecer os prazeres da puberdade, tive a oportunidade de acompanhar a glória de 1987, 1992, uma prévia do que estaria para ocorrer em 2009, mas também uma comprovação da força transcendente que o ocupa o manto sagrado. É claro que ainda tivemos a Mercosul, os tricampeonatos, mas isso só fez inflar o peito do Flamenguista e arranhar o brio da arcoirizada. Entretanto, ser campeão brasileiro novamente é despontar para o mundo, é revelar um potencial muito além das fronteiras continentais. E ser campeão contrariando todas as regras sistematizas, certeiras e comentadas por PhDs nas TVs, rádios,jornais, ruas etc é como se o título fosse "só" o Elias em sua carroagem de fogo anunciando a volta do messias. Esperamos de boa fé e coração que as boas novas se renovem e o Flamessias possa doutrinar todo o nosso povo com muita raça, amor, paixão e, sobretudo, liberdade!
Os variados cientistas crêem na razão a maior parte do dia, acham impossível não prever o mundo a partir da parca inteligência que possuem. Os das ciências sociais odeiam o jogo pois crêem na dominação da massa, na alienação midiática-econômica; já os cientistas matemáticos que não curtem futebol, interpretam a coisa como algo inútil e sem sentido, inclusive pela desrazão dos números. Nem sempre 11 são melhores que 10; nem quem faz mais de quem menos marcou é campeão; o tempo não acaba quando terminam os 45; os árbitros não são 100% corretos. E apesar do mundo ser dominado pelo saber científico, o espírito do futebol é um dos poucos que dele é usufruido, mas mesmo assim, contraria o poder sistemico estabelecido, pois não há, aparentemente, nada mais imprevisível do que ele. Catástrofes, atentados, mortes, tudo isso pode ser evitado com argumentos de biopoder - segurança, higiene, excesso de informações inúteis - mas a verdade incondicional é a de que o Flamengo é o maior rolo compressor do futebol brasileiro nos últimos trinta anos . Seu absolutismo é inegável. Todos sabem que as energias devem ser depositadas na "primeira fase". Afinal, se deixou chegar, fudeu!
 Nunca irei esquecer que os humilhados serão exaltados. Por vários anos habitei o vale sinistro - principalmente nos Brasileiros, e ali me vi morto ao lado de mortos - preso diante à TV em goleadas (estocadas) de times menos expressivos, mas antes que fosse possível me entregar, uma luz que  sempre me acompanhava, chamou minha atenção novamente. Não tenho muito do que reclamar depois que a trombeta voltou a soar na Gávea: minha filha nasceu no mês em que ganhamos a Copa do Brasil, julho de 2006. Nos anos seguintes, três títulos cariocas, duas eliminações decepcionantes da Libertadores - e reveladoras do nosso orgulho/excesso, um terceiro lugar inacreditável e cristão, um 5º despresível, mas honroso e claro, um título digno de pententeucos e outros livros sagrados de povos e religiões contemporâneas! O Flamengo é a imprevisibilidade, ele é o próprio avatar do futebol, sem ele, não haveria!


Motivação

Cruzmaltinos desse planeta,

Motivação é importante, mas não é tudo. A motivação ajuda alguns a se superarem. Mas um time não pode se basear em superação. Ela é aquele gás extra, aquela reserva de emergência, aquele fundo de reserva. É a cereja do bolo, não pode ser o arroz com feijão.
Me lembro do início da década, quando a torcida gritava "O Vasco é o time da virada". Um grito forte, um belo canto para as arquibancadas. O problema foi quando o time começou a acreditar demais nisso. O time foi ficando negligente na defesa, foi tomando gols pois sabia que a reação viria. E por um tempo ela veio mesmo. Mas não dá pra contar só com isso, e com o tempo os resultados foram parando de acontecer, as viradas foram virando empates até a hora que se tornaram derrotas. O torcedor pode contar com o excepcional, com o mágico. O profissional não.

Numa entrevista com nosso treinador e o do Fluminense, Cuca definiu o time tricolor como "Time de Guerreiros". Não é surpresa nenhuma pra ninguém que Cuca é um sujeito desequilibrado, que não tem equilíbrio emocional e passa isso para seus comandados. Vemos agora que ele assumiu o grito da torcida como mote. Mau sinal.
A reação do Fluminense foi algo realmente incrível, inédito no futebol. Não pode ser banalizado. Não podem ficar achando que isso vai acontecer o tempo todo. Aquilo só aconteceu porque o time estava com a faca no pescoço. Estão de parabéns, mas é bobagem acharem que vão render o mesmo quando tiverem em condições normais de temperatura e pressão. Em minhas comunidades do Orkut, vi gente avaliando o time do Fluminense com base no fim do Brasileiro, dando notas altas para Gum e Dalton, por exemplo. Está óbvio que os dois não são melhores que o zagueiro Álvaro, do Flamengo, como muitos estão pintando. Aliás, o time do Fluminense tem dois craques (Fred e Conca) e duas promessas (Maicon e Mariano). O resto é mediano, alguns até fracos. Contar que eles jogarão com aquela vontade toda é se iludir.

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PS: Eu falo do desequilíbrio de Cuca, alguns falam que é exagero. Pois, no primeiro jogo-treino da temporada, contra o Rio Branco, no Espírito Santo, o treinador tricolor conseguiu ser EXPULSO de campo... Exagero...

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PS2:

Como esse é o primeiro post de 2010 que se refere a algum dos outros times (não vou chamá-los de rivais, já que isso seria colocá-los à nossa altura), vou explicar porque falo tanto daquele clubinho das Laranjeiras. Sou vascaíno de coração, influenciado por meu padrinho, um primo mais velho e um vizinho. Porém, em minha família, sou o único que teve essa felicidade. Meu avô (que Deus o tenha), meu pai e meus dois irmãos padecem do mal de serem tricoletes. Por muito tempo eu até achei que era o primeiro a pensar nessa família Saldanha, até que recentemente eu descobri que meu Bisavô, português, e os irmãos de meu avô eram todos vascaínos, mas isso é história pra outro dia... Enfim, o que acontece é que eu acabo tendo mais contato com a torcida deles, e ouvindo as galhofas deles... Pronto, tá explicado!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Armando um esquema...


Cruzmaltinos desse planeta,

Nosso novo treinador já definiu a equipe para a estréia, contra o Tigres do Brasil, no próximo sábado. Porém, todo mundo sabe que é apenas um esboço e que dificilmente essa equipe terminará sequer o primeiro turno. Mancini tem fama de ser ofensivo, embora não escale times com muito atacantes. Ele prefere jogadores versáteis, que possam desempenhar funções diferentes quando o time está se defendendo e atacando. No Vitória, frequentemente optava por por um 4-5-1 com um dos meias chegando mais forte no ataque. No Santos, escalava Madson como segundo atacante, vindo de trás. No Vasco, tudo indica que essa será a função de Carlos Alberto. Isso é possível graças ao meio-campo com 3 volantes diferenciados, que sabem sair jogando e podem armar as jogadas. A confirmação da contratação Rafael Carioca é uma boa notícia pros defensores desse pensamento.
No Santos, Mancini montava a defesa com um lateral mais preso (Pará) dando liberdade para as subidas de Wagner Diniz. No Vasco, seria uma bobagem desperdiçar dois laterais fortes no apoio como Elder Granja e Márcio Careca. Logo, a solução pode vir num esquema com três zagueiros. Assim, o time se defenderia com oito jogadores e atacaria com seis. Um falso 3-5-2, um esquema pra lá de sólido, mas que exige um time com preparo físico exemplar e um banco à altura. Souza, Rafael Coelho, Coutinho (durante o Estadual) e Fagner podem formar esse banco.

É claro, temos que lembrar que em maio Juninho vem aí, e então muda tudo...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Tradição - Parte 2

Cruzmaltinos desse planeta,

em meu último post, acabei levantando uma discussão que rendeu um bocado (não aqui, mas no Orkut). O trecho da discórdia é esse:

Tradição - meus caros - não é bobagem. É o que separa os times grandes dos times medianos. Títulos qualquer um pode ganhar. Está aí o São Paulo Fashion Week, time criado ontem, que não nos deixa mentir. Daqui a dez, quinze anos, eles param de ganhar e a torcida volta àquele tamanhozinho que a gente conhece.

Enfim, afinal de contas, o que é Tradição?

Em primeiro lugar, não acredito que a definição convencional de tradição - "transmissão de práticas ou de valores espirituais de geração em geração, o conjunto das crenças de um povo, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações." - possa ser aplicado nesse caso. Estamos falando de clubes tradicionais, e não das tradições dos clubes. Tradição - nesse sentido - é o Fluminense ir atrás dos jogadores do Vasco. É o Botafogo chorar ao fim de cada jogo. É o Flamengo conseguir as coisas com ajuda da arbitragem. Enfim, vocês entenderam. O que faria então um clube ser tradicional?

Pra mim, tradição tem a ver com um período mais romântico do futebol. Algum espaço de tempo ali, entre o início do século XX e o meio dos anos 50, quando tudo era pouco documentado, tudo era semi-amador... Um tempo em que o que movia o futebol era a paixão, e não o dinheiro. Um tempo que certamente tinha defeitos horrorosos, que os times jogavam sem ter o menor preparo, mas que - por estar envolvido nas brumas do esquecimento - permite as maiores idealizações. Afinal, é fácil idealizar aquilo que só se conhece de ter ouvido falar, cujas testemunhas são velhinhos simpáticos com mais memória afetiva do que real. É fácil dar asas pra imaginação quando se fala em Brasil e Uruguai, final da Copa de 50, e seus lances-chave registrados de maneira poética. Difícil é romantizar Brasil e Uruguai, das últimas eliminatórias, jogo truncado com dois gols de Luís Fabiano e seus 20 ângulos de câmera, que não deixam margens para dúvidas.


Tradição não se compra, e também não se perde. Uma vez que um time é tradicional, ele não deixa de ser. É como o próprio Uruguai: por mais que a última copa que eles conquistaram tenha sido em 1950, que o último título da Celeste tenha 15 anos, eles têm tradição. É diferente jogar contra eles do que jogar contra a Turquia. Não é preciso nem que se tenha sido um vencedor nos tempos da memória. Basta ter tido algum destaque. A Argentina, que só foi ganhar sua primeira Copa em 78, já era tradicional bem antes disso. Talvez por ter sido finalista em 30, talvez por ter vencido nove de suas catorze Copas América antes dos anos 50.

Por isso anões como América, Bangu, São Cristóvão, Olaria, Fluminense e Botafogo têm tradição, e grandes vencedores como São Paulo, Cruzeiro, Inter e Grêmio não têm. Suas maiores conquistas já são nos dias atuais. Nos ultra-realistas dias atuais. Não há margem para romantismo contra tantos registros.