Caros amigos,
Passado o calor do campeonato, é hora de refletirmos mais sobre a pergunta-título: Qual a real importância dessa “conquista” do Vasco? Será que o vice-campeonato é motivo suficiente para todo esse ufanismo? Ou ainda, será que podemos dizer que o “Gigante da Colina” voltou?
Bem, consultando a história, vemos que o Bangu, em 85, e o América-RJ, em 86, também tiveram ótimas campanhas, mas não se reergueram. Aliás, Bragantino, Criciúma, Brasiliense, Santo André, São Caetano, Juventude... todos esses pequenos já viveram suas temporadas douradas, e depois voltaram a sua insignificância. Mas não podemos comparar a camisa destes times com aquela que tem o cinto de segurança. Então, melhor analisar a trajetória recente de alguns clubes grandes.
Na primeira metade da década de 90 o Botafogo parecia renascer. Após 21 anos sem títulos, um bicampeonato carioca, um vice no Brasileiro de 92 e, finalmente, o título de 95. Parecia que os anos 60 haviam voltado. Passados 16 anos, percebemos que aquilo não era o renascimento, e sim o último suspiro do moribundo. A conquista de Túlio, Wagner e Cia era, na verdade, o canto do cisne do clube de General Severiano. De lá pra cá, apesar de ter ganhado um estádio da prefeitura, e ter melhorado consideravelmente sua administração (principalmente a partir da gestão Bebeto de Freitas), o clube da estrela solitária vem acumulando fracassos e decepções.
Com o Palmeiras o caso também é grave. O time paulista, assim que voltou a séria A, conseguiu um 4º lugar no Brasileirão de 2004, um 3º em 2005, e outro 4º lugar em 2008. Mas nem essas três boas temporadas, nem o título paulista de 2008, nem as 3 participações na Libertadores (2005, 2006, 2009), foram capazes de tirar o Palestra Itália da série B psicológica em que ainda vive.
O Grêmio é uma incógnita. Rebaixado em 2004, voltou de forma épica no ano seguinte, e foi 3º lugar no Brasileiro de 2006, 2º em 2008, e 4º em 2010. Além disso, foi finalista da Libertadores em 2007, e semifinalista em 2009. Apesar de todas essas boas campanhas, a ausência de títulos importantes (já são 10 anos desde o último título da Copa do Brasil) já incomoda, colocando dúvidas sobre a recuperação gaúcha.
É claro que também há alguns casos de sucesso. O Santos andou por muito tempo adormecido, mas renasceu nos últimos 10 anos, com Robinho e Neymar. O Inter também capengou pela década de 90 e princípios da última década, mas conheceu a redenção nos últimos 6 anos.
O Fluminense é outro caso de sucesso. Após conhecer o fundo do poço na década de 90, o Flu também teve boas campanhas no seu retorno (3º na primeira fase de 2000, 3º no Brasileiro de 2001; e 4º no Brasileiro de 2002). Porém foi a partir de 2007 (com o título da Copa do Brasil, o vice na Libertadores e na sul-americana, e o título de campeão brasileiro de 2010) que o clube consolidou sua volta ao topo. O 3º lugar no brasileiro deste ano é, sem dúvida, mais uma prova da solidez desse processo.
Sendo assim, é óbvio que o Vasco está de parabéns pelo título da Copa do Brasil e pelo vice no Brasileirão. Mas se isso é o bastante para devolver grandeza ao clube, só o tempo dirá. Não é uma temporada que fará o clube reviver seus melhores dias. O Vasco ainda precisa provar, nos próximos anos, que 2011 não foi apenas um golpe de sorte, e que realmente vive um ressurgimento sustentável e duradouro. Para isso, será preciso renovar-se (o time atual depende muito de dois jogadores já sem fôlego, e de outro, que nunca fez duas boas temporadas seguidas). Até porque, não podemos esquecer, nessa temporada o clube também terminou em 6º no carioca, fazendo o pior começo de ano de sua história.
Portanto, amigos portugueses, não há motivo pra tanta empáfia e euforia. Menos, bem menos.
ST