sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Esfarrapadas

Cruzmaltinos desse planeta,

é triste ter que tocar nesse assunto na véspera de nossa estreia, mas não podemos deixar a mentira imperar e o mal vencer. A resposta que a oposição deu à denúncia do nosso departamento jurídico é no mínimo um insulto à nossa inteligência. Dizer "Azar de quem pagou, sorte de quem recebeu a diferença" é não ter a menor vergonha na cara. Vamos aos fatos:

1) Se Paulo Miranda valia U$2 milhões, porquê o Bordeaux pagaria mais que o dobro por ele?
2) Quem estabeleceu o preço de venda foi a quad...(ops!) a equipe do ex-presidente.
3) Quem seriam esses "atravessadores"? Alguém se surpreenderia se fosse um certo ex-dirigente com sobrenome igual ao do jogador?
Ou seja: não tem desculpa. Ou Eurico foi safado, ou foi incompetente. Ou, o mais provável: as duas coisas. O conselho de Beneméritos do Club de Regatas Vasco da Gama não pode ser presidido por este, que várias vezes foi chamado de "câncer do futebol brasileiro".

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Passando por isso, o time está nos últimos ajustes para a estreia contra o Tigres. O jogo deve ser duro. Nem tanto pela qualidade do adversário, mas pelo pouco tempo de preparação do escrete cruzmaltino. O time de Xerém está treinando desde novembro, enquanto nós só nos reunimos há 10 dias... Mas vale a pena acreditar. O resultado virá.

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Alguns ficaram chateados, mas eu pouco liguei para a eliminação do Vasco na Copinha. Um campeonato bizarro, de uma categoria que não existe mais, que exclui jogadores que se profissionalizaram (justamente por se destacarem) e que acontece quando a seleção sub-16 e 17 estão convocadas não é pra ser levada a sério. Só serve pra times de aluguel do interior de São Paulo colocarem seus "garotos" de identidade adulterada na vitrine...

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Outros ficaram preocupados com o empate no primeiro amistoso do ano. Assim como diz uma opção de preleção do Football Manager, o importante era a performance, não o resultado. De maneira geral, o time se comportou bem. Destaque positivo para Coutinho, Pimpão e Robinho. Por incrível que possa parecer, Ernani jogou bem! E Fumagalli mostrou que não quer ficar só compondo elenco. Os destaques negativos ficam por conta das atuações pífias de Souza (um jogador que eu gosto, mas estava num dia pouco inspirado), Caíque (que parece não conseguir virar o pescoço e olhar para os lados) e Fernando. O zagueiro conseguiu complicar o único lance de perigo da seleção capixaba, que acabou resultando em gol. Ainda bem que Martinelli e Gustavo chegaram ao time...

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Fontes seguras me dizem que duas facções de uma grande Torcida Organizada do Vasco estão planejando se pegar nos próximos jogos. Briga entre torcedores do mesmo time é coisa da mulambada, meu povo. Parem com isso!

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Papel de vascaíno nesse sábado é apoiando o time. Os corneteiros do mal podem ficar em casa.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Lubrificando as engrenagens

Caríssimos tricolores, primeiramente desejo-lhes um ano com muitas vitórias, menos sofrimento e mais títulos para o Fluzão. Nos últimos anos temos figurado entre os grandes clubes do Brasil, em decisões importantes desde 2007, sejam elas nacionais ou internacionais.

Ao contrário das duas frutas do blog - uma rubro-negra e outra vascaína - não quero me apegar ao passado, nem apelar para a emoção. Apenas me reservo o direito de dizer que sou de uma FAMÍLIA TRICOLOR. O Fluminense está no meu sangue. Não fui influenciado pelo vizinho e muito menos seduzido pela maioria burra.

Voltando ao mundo real, nosso foco deve ser o presente. E estamos bem. Discordo de quem diz que o Fluminense não tenha time para brigar por títulos. Nosso escrete foi o quarto clube que mais pontuou no segundo turno do Brasileirão. Pescaríamos uma Libertadores se nosso primeiro semestre não fosse tão desastroso. Sem contar que a reação começou a apenas nove rodadas do fim. A situação seria outra caso Cuca, Tenório, Bittencourt e Branco chegassem um pouco antes às Laranjeiras. E outros tantos fossem afastados. Além disso, jogamos duas competições simultâneas, numa das maiores sequências de vitória da história do futebol brasileiro.


Das novidades, Julio Cesar e Everton merecem destaque. Tanto que já figuram entre os titulares. O lateral ex-Goiás jogou muito ano passado, merecidamente eleito o melhor na posição. E Everton se encaixa no projeto de Cuca, que busca jogadores polivalentes. Volante, também atua como meia. Thiaguinho, Willians e Leandro Eusébio vieram compor elenco, mas com qualidade para vestir a camisa do Fluzão. Saídas de Paulo Cesar, Roni, Luiz Alberto, Fabinho, Wellington Monteiro e Leandro Amaral também são excelentes reforços.

Com a base mantida e poucas mudanças na escalação, levaremos alguma vantagem nesse início de certame. Na verdade, o Carioca será decidido entre Fla e Flu. Não vejo de outra forma. Os mulambos estão animadinhos com a conquista do Brasileirão e têm um dos melhores elencos do Brasil. Estão entrosados, como nós. Entretanto, basta a soberba burra para afundá-los em 2010. Enquanto isso, Vasco e Botafogo pouco assustam. O primeiro tem um time inteiro novo. Se funcionar - o que não acredito - só lá para abril. E Botafogo piorou em relação à 2009. É o primo pobre do Rio, que se cuide com os pequenos.



Domingo começa! Já vejo a melhor torcida do mundo cantando e empurrando o time até o último segundo. O show tá começando...

ST
(estou viajando a trabalho, ilustrarei o post no final de semana)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

As novas boas novas: Ele voltou!



Enxergar o mundo do alto foi algo pertencente ao divino por séculos. Mas no entre-lugar do sagrado e do profano, indivíduos, cidades, reinos, entidades se sentiram como se estivem em uma plataforma acima e de lá viam todos os outros que pelo parto pareciam iguais, mas que se distanciavam no caminhar da vida, nas escolhas e possibilidades abertas pela própria individualidade, sangue e destino. Por um outro lado, existiram homens e mulheres,  populações e acontecimentos que se transformaram em fatos sociais lembrados até os dias atuais, mas que não pareciam deter um poder tão óbvio ou que seus esforços não foram necessariamente universais e conscientes. Algo como um Carlitos histórico. Tivemos, inclusive, os que pensavam estar tão acima que se achavam um outro gênero além dos demais. Ou o inverso (nem tanto) também, vários indivíduos e suas sociedades condenaram povos isolados, como se só os subjugados fossem de uma espécie outra. Quer exemplo mais simples e brasileiríssimo que a escravidão, seja do negro ou do índio?
Na modernidade, o futebol é aquilo que nos permite olhar do alto sem ser necessariamente uma questão de sangue - meu pai era Fluminense, meu irmão é Vasco, minha filha foi Botafogo alguns meses; ou de berço - o Flamengo tem o maior número de torcedores do Brasil, isso todo mundo sabia, mas ninguém desconfiava que ele também tem o maior percentual dos extremos econômicos e educacionais. Dentre os clubes de futebol no Brasil, os mais pobres e os mais ricos brasileiros torcem para o da Gávea. Saquem a pesquisa! Não é só o fim de um mito de que flamenguista é pobre, ladrão, marginal. Somos tudo isso e todo o resto, além é claro, da polissemia. A marginalidade flamenguista pode ser beatnik também, por que não? O pobre ser sábio e o ladrão, justo também não é problema entre nós. Tem a ver mesmo com a individualidade, com o coração/mente de cada um. Sucessivamente, cada um faz o que pode com esse sentimento. Somos, claro, os mais chatos, porém os mais legais. E isso que importa, tem para todo gosto e variado, é orgulhoso e humilde, o alfa e o ômega, o ser e o não ser. Tem Flamanguaça, Flagay, Flaconha e até uma que não veste o uniforme rubronegro, se bobear até poderia cuspir num, mas não consegue viver sem.




Um destino místico-religioso nos acompanha

E é no batalhão de outros, daqueles que ocupam o inferno sartreano que venho propor o oposto do iniciado por aqui. Ao invés do divino olhar só pelo alto, quem sabe ele não seja visto, justamente, por debaixo, pelas entrelinhas, nos processos simbólicos construídos pelo aparente acaso futebolístico, pelas pequenas histórias contadas por cada um em seus íntimos, nas mesas de bar, da casa, no trânsito, no encontro entre desconhecidos que se reconhecem pelo vermelho e preto. Pensem na história sagrada construída com o Flamengo em todos estes intensos 30 anos. Quando nasci, em poucos dias o Fla fora campeão carioca, da Libertadores e seria do Mundial em Tóquio (13/12/1981). É bem provável que meus pais tenham achado que eu estava chorando assustado no berço, mas estava, na verdade, louvando o messias de quintino. Antes de conhecer os prazeres da puberdade, tive a oportunidade de acompanhar a glória de 1987, 1992, uma prévia do que estaria para ocorrer em 2009, mas também uma comprovação da força transcendente que o ocupa o manto sagrado. É claro que ainda tivemos a Mercosul, os tricampeonatos, mas isso só fez inflar o peito do Flamenguista e arranhar o brio da arcoirizada. Entretanto, ser campeão brasileiro novamente é despontar para o mundo, é revelar um potencial muito além das fronteiras continentais. E ser campeão contrariando todas as regras sistematizas, certeiras e comentadas por PhDs nas TVs, rádios,jornais, ruas etc é como se o título fosse "só" o Elias em sua carroagem de fogo anunciando a volta do messias. Esperamos de boa fé e coração que as boas novas se renovem e o Flamessias possa doutrinar todo o nosso povo com muita raça, amor, paixão e, sobretudo, liberdade!
Os variados cientistas crêem na razão a maior parte do dia, acham impossível não prever o mundo a partir da parca inteligência que possuem. Os das ciências sociais odeiam o jogo pois crêem na dominação da massa, na alienação midiática-econômica; já os cientistas matemáticos que não curtem futebol, interpretam a coisa como algo inútil e sem sentido, inclusive pela desrazão dos números. Nem sempre 11 são melhores que 10; nem quem faz mais de quem menos marcou é campeão; o tempo não acaba quando terminam os 45; os árbitros não são 100% corretos. E apesar do mundo ser dominado pelo saber científico, o espírito do futebol é um dos poucos que dele é usufruido, mas mesmo assim, contraria o poder sistemico estabelecido, pois não há, aparentemente, nada mais imprevisível do que ele. Catástrofes, atentados, mortes, tudo isso pode ser evitado com argumentos de biopoder - segurança, higiene, excesso de informações inúteis - mas a verdade incondicional é a de que o Flamengo é o maior rolo compressor do futebol brasileiro nos últimos trinta anos . Seu absolutismo é inegável. Todos sabem que as energias devem ser depositadas na "primeira fase". Afinal, se deixou chegar, fudeu!
 Nunca irei esquecer que os humilhados serão exaltados. Por vários anos habitei o vale sinistro - principalmente nos Brasileiros, e ali me vi morto ao lado de mortos - preso diante à TV em goleadas (estocadas) de times menos expressivos, mas antes que fosse possível me entregar, uma luz que  sempre me acompanhava, chamou minha atenção novamente. Não tenho muito do que reclamar depois que a trombeta voltou a soar na Gávea: minha filha nasceu no mês em que ganhamos a Copa do Brasil, julho de 2006. Nos anos seguintes, três títulos cariocas, duas eliminações decepcionantes da Libertadores - e reveladoras do nosso orgulho/excesso, um terceiro lugar inacreditável e cristão, um 5º despresível, mas honroso e claro, um título digno de pententeucos e outros livros sagrados de povos e religiões contemporâneas! O Flamengo é a imprevisibilidade, ele é o próprio avatar do futebol, sem ele, não haveria!


Motivação

Cruzmaltinos desse planeta,

Motivação é importante, mas não é tudo. A motivação ajuda alguns a se superarem. Mas um time não pode se basear em superação. Ela é aquele gás extra, aquela reserva de emergência, aquele fundo de reserva. É a cereja do bolo, não pode ser o arroz com feijão.
Me lembro do início da década, quando a torcida gritava "O Vasco é o time da virada". Um grito forte, um belo canto para as arquibancadas. O problema foi quando o time começou a acreditar demais nisso. O time foi ficando negligente na defesa, foi tomando gols pois sabia que a reação viria. E por um tempo ela veio mesmo. Mas não dá pra contar só com isso, e com o tempo os resultados foram parando de acontecer, as viradas foram virando empates até a hora que se tornaram derrotas. O torcedor pode contar com o excepcional, com o mágico. O profissional não.

Numa entrevista com nosso treinador e o do Fluminense, Cuca definiu o time tricolor como "Time de Guerreiros". Não é surpresa nenhuma pra ninguém que Cuca é um sujeito desequilibrado, que não tem equilíbrio emocional e passa isso para seus comandados. Vemos agora que ele assumiu o grito da torcida como mote. Mau sinal.
A reação do Fluminense foi algo realmente incrível, inédito no futebol. Não pode ser banalizado. Não podem ficar achando que isso vai acontecer o tempo todo. Aquilo só aconteceu porque o time estava com a faca no pescoço. Estão de parabéns, mas é bobagem acharem que vão render o mesmo quando tiverem em condições normais de temperatura e pressão. Em minhas comunidades do Orkut, vi gente avaliando o time do Fluminense com base no fim do Brasileiro, dando notas altas para Gum e Dalton, por exemplo. Está óbvio que os dois não são melhores que o zagueiro Álvaro, do Flamengo, como muitos estão pintando. Aliás, o time do Fluminense tem dois craques (Fred e Conca) e duas promessas (Maicon e Mariano). O resto é mediano, alguns até fracos. Contar que eles jogarão com aquela vontade toda é se iludir.

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PS: Eu falo do desequilíbrio de Cuca, alguns falam que é exagero. Pois, no primeiro jogo-treino da temporada, contra o Rio Branco, no Espírito Santo, o treinador tricolor conseguiu ser EXPULSO de campo... Exagero...

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PS2:

Como esse é o primeiro post de 2010 que se refere a algum dos outros times (não vou chamá-los de rivais, já que isso seria colocá-los à nossa altura), vou explicar porque falo tanto daquele clubinho das Laranjeiras. Sou vascaíno de coração, influenciado por meu padrinho, um primo mais velho e um vizinho. Porém, em minha família, sou o único que teve essa felicidade. Meu avô (que Deus o tenha), meu pai e meus dois irmãos padecem do mal de serem tricoletes. Por muito tempo eu até achei que era o primeiro a pensar nessa família Saldanha, até que recentemente eu descobri que meu Bisavô, português, e os irmãos de meu avô eram todos vascaínos, mas isso é história pra outro dia... Enfim, o que acontece é que eu acabo tendo mais contato com a torcida deles, e ouvindo as galhofas deles... Pronto, tá explicado!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Armando um esquema...


Cruzmaltinos desse planeta,

Nosso novo treinador já definiu a equipe para a estréia, contra o Tigres do Brasil, no próximo sábado. Porém, todo mundo sabe que é apenas um esboço e que dificilmente essa equipe terminará sequer o primeiro turno. Mancini tem fama de ser ofensivo, embora não escale times com muito atacantes. Ele prefere jogadores versáteis, que possam desempenhar funções diferentes quando o time está se defendendo e atacando. No Vitória, frequentemente optava por por um 4-5-1 com um dos meias chegando mais forte no ataque. No Santos, escalava Madson como segundo atacante, vindo de trás. No Vasco, tudo indica que essa será a função de Carlos Alberto. Isso é possível graças ao meio-campo com 3 volantes diferenciados, que sabem sair jogando e podem armar as jogadas. A confirmação da contratação Rafael Carioca é uma boa notícia pros defensores desse pensamento.
No Santos, Mancini montava a defesa com um lateral mais preso (Pará) dando liberdade para as subidas de Wagner Diniz. No Vasco, seria uma bobagem desperdiçar dois laterais fortes no apoio como Elder Granja e Márcio Careca. Logo, a solução pode vir num esquema com três zagueiros. Assim, o time se defenderia com oito jogadores e atacaria com seis. Um falso 3-5-2, um esquema pra lá de sólido, mas que exige um time com preparo físico exemplar e um banco à altura. Souza, Rafael Coelho, Coutinho (durante o Estadual) e Fagner podem formar esse banco.

É claro, temos que lembrar que em maio Juninho vem aí, e então muda tudo...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Tradição - Parte 2

Cruzmaltinos desse planeta,

em meu último post, acabei levantando uma discussão que rendeu um bocado (não aqui, mas no Orkut). O trecho da discórdia é esse:

Tradição - meus caros - não é bobagem. É o que separa os times grandes dos times medianos. Títulos qualquer um pode ganhar. Está aí o São Paulo Fashion Week, time criado ontem, que não nos deixa mentir. Daqui a dez, quinze anos, eles param de ganhar e a torcida volta àquele tamanhozinho que a gente conhece.

Enfim, afinal de contas, o que é Tradição?

Em primeiro lugar, não acredito que a definição convencional de tradição - "transmissão de práticas ou de valores espirituais de geração em geração, o conjunto das crenças de um povo, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações." - possa ser aplicado nesse caso. Estamos falando de clubes tradicionais, e não das tradições dos clubes. Tradição - nesse sentido - é o Fluminense ir atrás dos jogadores do Vasco. É o Botafogo chorar ao fim de cada jogo. É o Flamengo conseguir as coisas com ajuda da arbitragem. Enfim, vocês entenderam. O que faria então um clube ser tradicional?

Pra mim, tradição tem a ver com um período mais romântico do futebol. Algum espaço de tempo ali, entre o início do século XX e o meio dos anos 50, quando tudo era pouco documentado, tudo era semi-amador... Um tempo em que o que movia o futebol era a paixão, e não o dinheiro. Um tempo que certamente tinha defeitos horrorosos, que os times jogavam sem ter o menor preparo, mas que - por estar envolvido nas brumas do esquecimento - permite as maiores idealizações. Afinal, é fácil idealizar aquilo que só se conhece de ter ouvido falar, cujas testemunhas são velhinhos simpáticos com mais memória afetiva do que real. É fácil dar asas pra imaginação quando se fala em Brasil e Uruguai, final da Copa de 50, e seus lances-chave registrados de maneira poética. Difícil é romantizar Brasil e Uruguai, das últimas eliminatórias, jogo truncado com dois gols de Luís Fabiano e seus 20 ângulos de câmera, que não deixam margens para dúvidas.


Tradição não se compra, e também não se perde. Uma vez que um time é tradicional, ele não deixa de ser. É como o próprio Uruguai: por mais que a última copa que eles conquistaram tenha sido em 1950, que o último título da Celeste tenha 15 anos, eles têm tradição. É diferente jogar contra eles do que jogar contra a Turquia. Não é preciso nem que se tenha sido um vencedor nos tempos da memória. Basta ter tido algum destaque. A Argentina, que só foi ganhar sua primeira Copa em 78, já era tradicional bem antes disso. Talvez por ter sido finalista em 30, talvez por ter vencido nove de suas catorze Copas América antes dos anos 50.

Por isso anões como América, Bangu, São Cristóvão, Olaria, Fluminense e Botafogo têm tradição, e grandes vencedores como São Paulo, Cruzeiro, Inter e Grêmio não têm. Suas maiores conquistas já são nos dias atuais. Nos ultra-realistas dias atuais. Não há margem para romantismo contra tantos registros.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Tradição

Cruzmaltinos desse planeta,

nosso amado Gigante da Colina nos dá mais o que comentar antes da chegada de 2010. Agora é a eleição, somente para os sócios, da terceira camisa do clube. São 3 modelos bem diferentes, criados pela grife Cavalera, que já criou o terceiro uniforme da Portuguesa em 2009 (pode ser vista aqui).
Sinceramente, não gosto dessa coisa de terceiro uniforme. Descaracteriza. Afinal, quando se fala em Vasco, se pensa na camisa preta com a faixa branca ou branca com a faixa preta. Os mais antigos podem pensar ainda na camisa toda preta. E acabou. Não dá pra sair muito disso. O Vasco até teve um terceiro uniforme, todo preto com detalhes dourados, há alguns anos, mais precisamente em 2003. Embora esses detalhes fossem diferentes do que eu esperava, ainda dava pra ver que se tratava de um unifome do Vasco.
Quando entrou, a Champs tentou colar duas camisas diferentes, o terceiro e quarto uniforme, segundo eles. Talvez pelo momento tumultuado, com a lembrança do rebaixamento ainda muito forte, a torcida rechaçou a ideia prontamente. Ainda bem, pois as camisas eram horríveis. Mas pelo menos respeitava a tradição.
Ainda em 2009, no entanto, veio a camisa comemorativa da volta à primeira divisão. Eu devo ser o único ser humano desse mundo que implicou com aquele uniforme. Preto com uma faixa vertical dourada... Sei lá. Não é o Vasco. Pra mim, lembra mais o Voltaço. Mas a camisa foi um grande sucesso de vendas e esgotou rapidamente em todas as lojas, virando objeto de culto para alguns.
E chegamos aos modelos propostos pela marca do baterista do Sepultura. Sofríveis. Os três.

O primeiro é uma cópia do terceiro uniforme da Internazionale de Milão, chamada de L'Ambrosiana, com a justificativa de que faz homenagem aos cavaleiros cruzados (!?!?) e aos navegadores que saíram de Portugal - Vasco da Gama incluso. Balela. O segundo seria uma camisa interessante (na verdade, pra mim, é a mais interessante), não fossem dois detalhes. O primeiro é o número em dourado, que além de fugir das nossas cores, é brega pra cacete. Cor metálica é só pra carro. Roupa não dá. O segundo detalhe é que o uniforme nem preto é. É um grafite, um cinza escuro ou qualquer coisa que o valha. Ou seja: não tem cor nenhuma do Vasco nele. O terceiro tem um "v" azul no peito, talvez numa alusão ao nome do Club. Outra balela. Todo mundo sabe que é cópia dos uniformes 2009 do Manchester United. Ou talvez dos argentinos do Velez Sarsfield. Agora: de onde eles tiraram esse azul?
Comentando isso com os amigos, fui chamado de velho.
É claro que eu entendo que o Club precisa de novas receitas, e que essa é uma boa oportunidade. "Na Europa é assim" - eles falam. Ok. Mas desde quando temos que copiar tudo que os europeus fazem? Tradição - meus caros - não é bobagem. É o que separa os times grandes dos times medianos. Títulos qualquer um pode ganhar. Está aí o São Paulo Fashion Week, time criado ontem, que não nos deixa mentir. Daqui a dez, quinze anos, eles param de ganhar e a torcida volta àquele tamanhozinho que a gente conhece. Não deixemos o Vasco se "apequenar".

PS: Mesmo o Barcelona jogando com aquele uniforme horrendo laranja fluorescente na final do interclubes, na hora de receber a premiação e bater as fotos oficiais, os jogadores estavam todos com a Azul e Grená. Mesmo eles sabem que Tradição não se compra...

PS2: Você, sócio, que ainda não votou e deseja fazê-lo, clique aqui.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal (e duas dicas de NÃO-presentes)

Cruzmaltinos desse planeta,

não estranhem a nossa ausência. Como eu já disse, essa época do ano é pródiga em boatos e pobre em notícias realmente confiáveis. Pra ficar comentando "Fulaninho vem", traçar como o time fica com a escalação de Fulaninho e no dia seguinte falar "Fulaninho não vem mais", é melhor tirar férias.
Então, com esse post eu aviso os nossos 3 leitores que voltamos ali pelo dia 10 de janeiro, já pensando no Carioca. Aproveito e deixo também um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a todos, em nome da redação do Corneta Diária.
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Já que peguei pra escrever, vou dar duas dicas do que NÃO dar de presente para um torcedor vascaíno. Sim, eu sei que já é dia 23 de noite, mas ainda resta um tempinho para - se você comprou - trocar a lembrancinha por um lenço ou uma meia.
Me enche de tristeza, mas tenho que "DESindicar" o livro de Aldir Blanc "Vasco - A cruz do Bacalhau". O livro faz parte da coleção "Camisa 13", em que grandes escritores escrevem sobre seus times do coração. Ideia ótima, que já deu certo para vários clubes. Infelizmente, não para nós. O livro começa bem, quando o compositor narra com entusiasmo a fundação do Club e sua entrada no futebol. Essas partes nos fazem acreditar que estamos diante de um clássico, uma obra com potencial para virar livro de cabeceira, daqueles que relemos com gozo. Mas, em algum momento, tudo muda. Aldir sofre de um irremediável passadismo e de uma falta de visão que somente encontramos nos descrentes.
O livro é escrito em 2009 e tem um tom derrotado. Talvez como um biografo que acha que vai ganhar mais expondo escândalos obscuros do que enaltecendo o biografado. Chega ao absurdo de dedicar um capítulo para as derrotas recentes para nosso arqui-rival e um com piadas que sacaneiam o Gigante da Colina. Pra que? Talvez por esquecer de uma frase do Veríssimo que ele mesmo cita:
"É preciso lembrar sempre que o Vasco da Gama não é o Eurico Miranda: é sua história e suas glórias(...)"
Por mais que se odeie (e eu também odeio) o ex-dirigente, não podemos deixar esse ódio nos cegar. E aí vem o passadismo.
O livro fala 1000 vezes do atacante Walter Marciano. Até aí, nada contra. O jogador marcou a infância de Aldir, foi artilheiro no jogo que o fez vascaíno. Eu mesmo tenho um apreço talvez desmedido por jogadores que marcaram minha infância, como o meia Bismarck. Mas daí a escrever um livro sobre a história do Vasco e não falar dos brasileiros de 89, 97 e 2000, nem da Libertadores de 1998 ou da Mercosul de 2000... Isso é imperdoável. O ódio que o autor nutre pelos volantes de contenção só deixa claro que Aldir é um cara que não sabe ver o futebol de hoje. É uma viúva dos ponta abertos, sem necessidade de marcar ninguém.
O livro de Aldir é mal-amado. O poeta usa mal o espaço que lhe foi dado. Ao invés de fazer do livro um incentivo, mostrar que dias melhores virão, que o Vasco é gigante e não vai ser um tropeço que o diminuirá, faz uma obra para ser usada contra nós, uma bomba com motivação política, um míssil daqueles que acertam alvos civis.
Enfim, pegue os R$35,00 do livro e pague a associação na modalidade Torcedor Vascaíno (http://www.ovascoemeu.com.br/) para seu Vascaíno amigo. Lugar de Cruz-maltino é apoiando o clube.
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Ah! E o segundo presente de grego? Bem, esse não tem jeito... Já ganhamos.

domingo, 6 de dezembro de 2009

No cu!

Um sonoro “VAI TOMAR NO CU” para todos os sábios que disseram que o Fluzão já estava na série B! Tristão Garcia, Milton Neves, Neto, André Rizek, imprensa de merda paulista e todos os outros filhos da puta que falaram besteira... Aos nossos adversários idem...


De volta, nosso centenário escudo nos conformes, exatos TRINTA PONTOS após à mandinga tricolor de quem vos escreve!!!

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Um tapa de luva (dolorido por sinal) nos defensores dos pontos corridos. Aos mulambos de bosta que choraram com a mala branca de Barueri, o que dizer dessa última rodada? Faltou uma final!


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Agradecimento especial ao elenco atual do FLU sem os encostos, Cuca, Ronaldo Torres, Branco, Ricardo Tenório, Mário Bittencourt e a todos que colaboraram com essa arrancada maravilhosa do Tricolor, destaque na reta final do Brasileirão e finalista da Copa Sul-Americana.


À melhor torcida do mundo - na qual me incluo - “PARABÉNS GUERREIROS!!!” Vocês acordaram o GIGANTE Fluzão e mostraram ao mundo inteiro a força tricolor, a dignidade de uma torcida apaixonada que não aceita a derrota JAMAIS! Continuo afirmando que nós somos o maior patrimônio entre todos os clubes do futebol mundial. FORÇA FLUZÃO!!!

SAUDAÇÕES TRICOLORES!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Rompendo com a Imprensa

Cruzmaltinos desse planeta,

Após longo silêncio, eu resolvi falar. Todo ano é a mesma coisa. A temporada vai chegando ao fim e as notícias vão se escasseando. E o que faz a imprensa então? Busca novas notícias? Fala de outro assunto? Não. A imprensa mente. Mente de forma irresponsável. É um tal de jogar boato de fontes nada oficiais como certeza, ouvir o porteiro do hotel onde o time faz concentração como fonte, garçon do restaurante onde almoça o roupeiro...
A imprensa não se incomoda em prejudicar o trabalho de planejamento sério dos clubes, desde que vendam bastante jornais. O Vasco, que atingiu suas metas cedo demais, foi o mais prejudicado com isso. Não estou dizendo que o DJ não pediu um aumento exorbitante. Ele pode até ter pedido. Mas é insano querer negar que a boataria que tomou conta de Sanjanu nas últimas semanas prejudicou qualquer negociação. Mesmo a diretoria reafirmando que qualquer confirmação de elenco esperaria o fim da série A, os jornais continuavam inventando factóides. Isso se chama IRRESPONSABILIDADE.
A torcida tem que parar de cair nessa. Parar de comentar isso tudo na comunidade do Orkut. Eles não ligam para nós, para quê vamos dar moral a eles?

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Dorival saiu. Ruim pro planejamento, mas também não é o fim do mundo. Várias vezes DJ acertava errando, como vocês devem se lembrar aqui pelos textos que publiquei no Blog. Não escondo que meu nome favorito está completamente fora da realidade: Oswaldo de Oliveira. Abel Braga, além de ganhar uma fortuna, não é um grande nome. PC Gusmão também não me agrada. Já vi loucos clamando até por Joel. Por mim, é Silas ou Ney Franco.

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Já falei há um tempo atrás, e vou repetir: o Vasco precisa de um lateral-direito, um zagueiro, um volante, um meia de criação, um atacante e um ídolo. Perdendo Élton, passamos a precisar de dois atacantes. Isso fora peças de reposição. A possibilidade de troca de Alex Teixeira por Carlos Alberto me agrada. Para ídolo, Juninho Pernambucano é uma alternativa a partir de maio, quando acaba o campeonato no Oriente Médio.
Além disso, temos que tentar manter Fernando Prass, Titi, Gian, Ramón, Nilton, Carlos Alberto e Pimpão.

É hora de planejamento, não de fofoca.