Nossa relação sempre foi um Fla x Flu, um embate que começara antes do próprio tempo, uma relação quase darwiniana de seleção natural e luta pelo patriarcado. Sempre ouvi sobre a relação filial entre nossos clubes do coração e me confortava o fato dela se repetir em minha vida pessoal. Flu é o pai, conservador, autoritário, carinhoso, com glórias passadas; o Fla, o filho rebelde, impetuoso e o vencedor do futuro.
Até hoje é difícil deixar de ter uma rivalidade, mesmo não querendo, logo já estou torcendo para que o Flu seja infeliz. É bem provável que isso seja um problema que reflita nossa relação, até por que, a maioria das pessoas queridas em minha vida torce ou torceu para o flusão. Quem sabe, hoje, onde também comemoro o nascimento do Flu, a gente possa se reunir, trocar uma ideia e apagar qualquer mágoa passada? Quem sabe hoje, Édipo e o rei possam trocar abraços depois de séculos de intolerãncia e rancor? Quem sabe hoje, possamos finalmente dar as mãos, entendendo que não seria possível o Fla se não fosse o Flu e que além disso, não seria possível o futebol se não fosse o Fla x Flu. Somos dois que era um que forma o maior espetáculo de todos. Onde um começa, o outro termina.
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Seu Lúcio me deu a "passagem", como o Flu para o Fla |
Parabéns tricolor - obrigado pelos 108 anos e pela passagem para a vida de mistérios e delícias!
2 comentários:
Lindo!!!
Mas trate de virar homem e torça pelo time de seu pai.
Abandone o lado Negro da Força.
Texto sensacional! Rivalidade sim, inimizade não. Fla e Flu são parentes, parceiros, e deveríamos agir como tal também nas arquibancadas.
Sem dúvida, sua postura desmistifica um pouco a imagem que eu tenho da torcida do flamengo, baseada em rubro-negros que conheço. E faço das palavras do Felipe as minhas... ;-)
Abraço!
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