
Cruzmaltinos desse planeta,
o Gigante da Colina não merecia de jeito nenhum a derrota sofrida no Barradão. Pelo menos não essa. Não de 2x0. Nosso escrete se empenhou e conseguiu fazer um jogo que, se não foi brilhante, foi estrategicamente inteligente na casa do adversário. Jogando contra um tabu de jamais ter vencido o Vitória no Barradão, o Vasco entrou em campo sabendo que nas etapas anteriores os baianos fizeram o resultado em casa. A cautela era a palavra de ordem e o time se comportou bem. A defesa atuou como poucas vezes esse ano, com Titi e Martinelli não dando mole e não dando espaços pro ataque. No primeiro tempo, chegamos pouco, e mesmo assim, tivemos duas boas chances de gol, nas cabeças de Élton e Cazalberto. No entanto, o Vitória abriu o marcador em uma bola fortuita, uma cabeçada muito forte que acabou sobrando pro ex-Vascaíno Renato "Zumbi". Aliás, o morto-vivo-atacante é muito ruim, e só conseguiu marcar porque a bola sobrou sozinha pra ele. Alguns reclamam de falha na marcação, da sobra, mas não dá pra culpar ninguém ali. Fernando Prass espalmou a bola no reflexo, e quando ela vem assim, pelo alto, é natural que o defensor perca um segundo procurando a bola no alto. Esse segundo, para nós, foi fatal.
No segundo tempo, o Vasco voltou melhor, e quase empatou com uma cabeçada do capitão que parou na trave. O time tinha o domínio e o goleiro Viáfara fez pelo menos uma boa defesa que salvou a equipe soteropolitana do empate. No entanto, numa jogada boba, que nosso volante Zidanilton - até então, impecável - fez uma gracinha, o Vitória conseguiu um novo cruzamento que chegou no pé do reserva Neto Beirola. A bola era tranquila para nosso arqueiro, se no meio do caminho não estivesse Elder Granja. Assim, o Vitória conseguiu muito mais do que procurava nessa noite de quarta-feira. O lateral-direito do Vasco merece um comentário a parte: o desempenho de Granja impressiona negativamente - nulo no ataque, ineficiente na defesa, fez um gol contra e ainda tomou um chapéu desqualificante. Assim, os baianos levaram o 2x0 e a vantagem de poder perder por um gol de diferença (até 2, se conseguirem marcar) na partida em São Januário.
Mas nem tudo está perdido. Já vimos o Vasco sair de situações mais adversas, e o retrospecto do Vitória fora de casa na Copa do Brasil (Uma derrota - pro Corinthians de Alagoas, um empate e uma vitória magra contra o Náutico) nos permite manter as esperanças. Não vai ser fácil, mas quando é que foi fácil para o clube da colina?
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Repetindo: Bem ou mal, vimos hoje um Vasco com um sistema defensivo que - se não foi perfeito - ao menos estava organizado. Ao chegar em casa, vi vários comentários no Twitter pedindo a cabeça do treineiro Gaúcho. Não escondo de ninguém que o eterno-interino não é meu favorito, mas creditar a derrota em suas costas é covardia. Quem fala que o time não pode jogar com 3 volantes desconhece o que é futebol. Se no segundo tempo quem entrou pra dar velocidade foi Robinho é uma questão de falta de peças de reposição, não de falta de visão estratégica. Coutinho e Cazalberto não renderam tudo que podiam, é mérito da defesa baiana. Temos que parar com esse complexo de filho feio de achar que tudo que fazemos é pior do que os dos outros. Já nos livramos de situações mais adversas. A derrota de hoje não é o fim do mundo, e não podem servir de combustível pra quem só quer tumultuar o ambiente na Colina. Quem quer só cornetar, favor ficar em casa na próxima quarta. Dêem espaço pra quem acredita no Vasco lotar o caldeirão.