
Cruzmaltinos desse planeta,
vou dizer publicamente algo que jamais externei, nem mesmo para meus amigos mais próximos. Alguma vezes eu me envergonhei do Vasco. Coincidência ou não, isso acontecia justamente no período mais vitorioso da nossa história. Sempre que eu via uma notícia de um cambalacho do Dr. Eurico Miranda envolvendo o Gigante, uma polêmica vazia que colocava em dúvida algo que nos era de direito, eu me envergonhava um pouquinho do Vasco. As derrotas, quando honradas, servem de lição, servem para o crescimento. Algumas vitórias merecem ser esquecidas.
Quando o Roberto se candidatou à presidência do Vasco, eu o apoiei. Nem tanto pela competência, já que ele não tinha nenhuma experiência na administração de uma instituição do porte do Club de Regatas Vasco da Gama. Apoiei sobre tudo pelo que ele simbolizava. Simbolizava a moralização do club que eu aprendi a amar desde pequeno.
Rodrigo Caetano veio a reboque, representando outro valor que me é caro: a profissionalização do esporte mais importante do Vasco. Nenhum dos dois foi perfeito. Mas conseguiram, ao longo desses 3 anos, não perder a carga simbólica que carregavam.
Alguns já comentam, aqui e no facebook: Ora! Mas dirigente não entra em campo. Não faz gol. Porém, quantas vezes vimos em uma notícia de contratação a frase: "O jogador tem ótimo relacionamento com Rodrigo Caetano...". Isso é o gol do Diretor de Futebol.
Agora alguns elementos da torcida começam a "descobrir" podres do dirigente que sai. Infantilidade. Como na fábula da raposa e as uvas, desdenhamos aquilo que já não está mais em nosso alcance.
Na vida, existem algumas situações extremas em que os valores podem ser relativizados. Com os filhos passando fome, talvez seja moralmente aceitável roubar. Num caso de vida ou morte, matar pode ser a única saída. Na vida é assim. No esporte, não. Nada no esporte justifica a desonestidade. A "malandragem", o "jeitinho brasileiro", fazem com que muitos dos que conheço se sintam repelidos. Não gostam do futebol porque "é essa coisa aí, cheia de armação". Nós mesmos, amantes do ludopédio, nos acostumamos a relativizar valores quando se trata do time da gente. Enquanto nós continuarmos a legitimar essa falácia, as coisas permanecerão iguais. A mudança cabe a todos nós.
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Dito tudo isso, podemos discutir a sucessão de Rodrigo Caetano. Uma primeira possibilidade me assustava: simplesmente acabarem com o cargo. Dessa maneira, Mandarino concentraria todas as funções do departamento de futebol e teríamos mais uma vez um déspota no comando do esporte. Lamentável. Porém, com o passar do tempo e as novas notícias, o cenário alternativo foi se tornando ainda mais horripilante. Traríamos o bandido Marco Aurélio Cunha, ex-dirigente do São Paulo, para ocupar o cargo. Os mais ingênuos dirão: "mas na gestão dele, o São Paulo ganhou tudo". Mas a que preço? O São Paulo se notabilizou pelas jogadas de bastidores, por tentar ludibriar os jogadores da base, por aliciar jogadores adversários durante os confrontos. Se é pra trazer um nome que vai me envergonhar, por favor, extinguam o cargo.
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Muito se falou em oferecer o cargo à Juninho Pernambucano. Tentar aposentá-lo assim, antes do tempo, é de uma falta de educação tremenda. Que o Reizinho perdoe estes fariseus.
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O Pablo Barroso sugeriu Mauro Galvão, nos comentários. Apesar de ser um grande fã do zagueirão, não sei como ele se dá com a atual gestão, e seus resultados como gerente de futebol ainda são inconclusivos. Enfim, não rezo por esse nome ou aquele. Rezo pelo que for melhor pro Vasco.