segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A ignomínia

Cruzmaltinos desse planeta,

eu me lembro da primeira vez que senti vergonha do Vasco. Infelizmente, não foi a única. Felizmente, também não foram muitas. Mas a primeira vez fica para sempre. Eu tinha acabado de fazer 9 anos e estava começando a tentar entender as rocambolescas reviravoltas dos bastidores do futebol brasileiro. O regulamento daquele Campeonato Carioca de 1990 também era dose pra leão. O Campeão da Taça Guanabara pegava o vencedor da Taça Rio e, se houvesse uma equipe que não essas duas que pontuou mais ao longo do torneio, esta faria uma final contra quem venceu o jogo dos campeões de turno. Entendeu? É confuso mesmo, releia aí... Pois, aconteceu isso tudo e o Vasco foi campeão do estado extinto, o Flu venceu o troféu da cidade e o Botafogo somou mais pontos nos dois turnos. O Vasco bateu a turma do laranjal na primeira final e foi enfrentar a cachorrada na final final. É! É bizarro mesmo... Mas o pior estava por vir. O clube das viúvas do Garrincha venceu por 1x0, mas até aí, tudo bem. Derrotas acontecem. A vergonha começou depois do apito do juiz. Inconformado com o resultado do jogo, o nosso ex-presidente, ex-croque e ex-telionatário Eurico Miranda tentou forçar uma prorrogação no tapetão. Como os Buatafoguenses eram realmente os campeões de direito, eles não toparam a manobra e deram a volta olímpica com a taça. Mas aí veio a cereja do bolo da vergonha: o sapo-cartola obrigou nossos jogadores a darem uma volta olímpica... com uma caravela de papelão de algum torcedor geraldino. É claro que aquilo foi motivo de chacota. Não existe nada pior que um mau perdedor, e foi nisso que aquele dirigente do charuto no transformou naquela noite.


Porque volto nesse assunto hoje? Afinal de contas, estamos bem na tabela, com uma gestão bem conceituada, que vem conseguindo limpar a mácula da passagem de Eurico pelo club da colina... Porque lembrar? Na última sexta-feira, 29 de julho, o lamentável fato completou 21 anos. E parece que o opróbrio daquele dia reluta em ser apagado. Ainda ontem eu escrevi nesse espaço que eu tinha a impressão de que a oposição tentaria alguma coisa para tumultuar as eleições de amanhã. Pois hoje veio a notícia: uma das chapas de oposição retirou sua candidatura, enquanto a outra decidiu fazer pirraça e não participar do pleito. Com isso, eles pretendem esvaziar um processo que se mostra claramente desfavorável para o lado deles. Afinal, a ideia do grupo que quer voltar ao poder é disputar as eleições num momento de crise, quando o time estiver na parte de baixo da tabela e os torcedores insatisfeitos com a gerência do Gigante... Porém, como eles vão querer derrotar o Presidente-Ídolo num momento que o Vasco conquistou um título de grandeza nacional e está a apenas 4 pontos do líder... Por isso, a tática deles é badernar, é transformar a eleição em circo, é arrastar o resultado na justiça por semanas, quiçá meses...

Não sei porque, mas parece que estou vendo aquela caravela de papelão saindo do túnel, carregada por Eurico Miranda, Pedro Valente e companhia...

domingo, 31 de julho de 2011

Flamengo x Santos na latinha


Na segunda, rumei para Lapinha, um arraiá de Santana do Richo, na Serra do Cipó, a cerca de 400 km de Juiz de Fora e uns 100 Km de BH. Muitas montanhas maravilhosas, estradas de chão passando por locais bem mais puros que o capitalismo cotidiano pensa em me ofertar na cidade. O tempo todo, em meu íntimo fui pensando no confronto de quarta-feira. Sabia que não iria ficar em pousada que oferecesse canais a cabo. Também percebi que a galera local, sem qualquer sombra de dúvida, torcia ou para Cruzeiro ou para Atlético. Normal.
O lugarejo fica próximo a uma represa construída há décadas. E ao mesmo tempo,  é servido com serras de pedra maravilhosas, cachoeiras e uma vegetação diferente da que estamos acostumados na zona da mata de Minas. O vento em Lapinha da Serra, seu nome completo, canta forte, nesta época de inverno. Não sou especialista, mas parece a brisa do lago indo e voltando, do entardecer até o meio-dia. Porém, incrivelmente, o local onde fiquei hospedado, apesar do canto das árvores, fazia menos frio do que o som anunciava lá fora. Era uma casa bastante simples, porém confortável até com geladeira e fogão, além de banho quente e rede na varanda. Sem conexão externa. Concentração na natureza, na revisão dos hábitos e energização para o semestre que iria começar.
É claro que não tive qualquer força para esboçar, "mulé, vou lá fora nessa ventania ver se encontro uma TV que passe o Flamengo". O vento tava muito forte e fomos para casa cedo. Olhei para o relógio algumas vezes. Cheguei a marcar num bloco de notas: 18:12, 18:35, 19:01, 19:44, 22h14. Me distraí e o jogo que tinha tudo para ser bom, já tinha começado. Antes da partida, tentei explicar pra Nina que era um momento especial, que o pessoal dos Santos podia querer crescer sobre o Fla, por conta do fiasco sepulcral da seleção brasileira etc etc. Não é totalmente, mas parecia vento passando. "Cê vai ver onde", perguntou, "po, não vou ver. Vou ouvir, fiz uma gambiarra no rádio do carro e vou ouvir a Rádio Globo". Na falta de um clipes, usei uma argola de chaveiro para contruir uma antena de recepção - a original não estava no lugar  Já tinha passado muito tempo ouvindo jogo pelo rádio na juventude. E raciocinei que a transmissão deve estar bem mais evoluída que naquela época. E no alto da montanha, tinha certeza que os 1220 iriam pegar. E falo que foi uma transmissão limpa e somente em alguns momentos, perdia volume e ía lá embaixo, parecia que  sairia do ar, mas voltava.
Quando liguei o rádio, o Garotinho demorou para falar o placar. Só soube praticamente quando o juiz apontou o penalti de Willians em Neymar. Depois dos 40'. Pela transmissão, fiquei achando que tinha havido rebote na cobrança. Só depois na TVque entendi direito o lance. Imaginei também que se tivesse ligado mais cedo, no início da partida, seria bem provável que ficasse puto e fosse para as cobertas. Mas Iansã, deusa dos ventos me conduziu por um encanto para os melhores momentos da partida e em um estado diferente da maioria das impressões contemporâneas desse espetáculo que é o futebol. Gérson, disse que pelo VT não tinha sido falta. Acho que foi, mas fora da área. Enfim, ainda bem que foi penalti, ainda bem que o Brasil tem Elano e o Flamengo o humor do Filipe.
Em seguida, o gol de Deivid. No intervalo, entrei em casa e expliquei pra Nina o que estava acontecendo. E ela sorriu, mais até pela minha empolgação do que pelo emocionante da partida. Lembrei do pai dela. Sá Chica devia estar chocado com a zaga do mengão e seu coração a mil. Voltei pro carro a tempo de ouvir os gols. Como haviam sido seis, o intervalo só repetiu dois - imaginei que o tempo deveria estar contadinho e não dava pra por os outros. Foram muitas emoções para um tempo só. Comentários e conversa pra caramba. No segundo tempo, apesar do gol de Neymar, já estava satisfeito de não ser 3 x 0. Ouvi, antes da falta inesperada, o Garotinho dizer "é esse o Ronaldinho que todo mundo quer". Foi no lance em que entortou o soldado de Murici. Gérson, já havia alertado para a proeza e criatividade do craque naquele tipo de cobrança. O canhota pensou em todas as variáveis, inclusive em uma que ele tinha cobrado pelo Barcelona, pelo lado da barreira. Para ele, o melhor seria por cima da barreira mesmo. Deu no que deu. Ronaldinho driblou até o tricampeão, exxxxpecialista.
Ainda fiquei emocionado ao ouvir uma tabelinha Neves-Gaúcho em um templo que serviu de narração para Pelé e Coutinho. E no fim, quase um 6 x 4.
Desculpem o excesso de palavras e talvez a falta até de uma emoção mais autêntica, todavia tem momentos e coisas que não ainda que as palavras saem diferentes. Ouvir o jogo no carro me garantiu um momento duplamente único ou completamente ímpar. Apesar de quê, se for para acontecer o que aconteceu, prefiro cancelar o Sportv.


p.s.: só uma coisa me assusta. Jogo na rádio parece camisa de time do interior: tem mais anunciante do que partida. É exagero, mas tem hora que enche o saco.

O aguerrido camisa 9

Amigos tricolores,

Não tivemos, na tarde de hoje, uma atuação das mais brilhantes. Depois de uma primeira etapa ruim, conseguimos tirar proveito das facilidades que apareceram (o jogo era difícil até a expulsão justíssima de um eqüino cearense) e goleamos o adversário. Mas eu quero falar aqui de um personagem um tanto polêmico do nosso elenco: o nosso capitão.

Meu pai costuma dizer que o Fred é um dos maiores lobistas do futebol brasileiro. Tem lá sua parcela de verdade. Nosso atacante gosta de chamar os holofotes pra si, e por isso conta com a simpatia de boa parte da imprensa, que precisa de notícias para encher as folhas dos jornais. Outra parte da imprensa, a conhecida Fla-Press, gosta de malhar nosso jogador, muitas vezes pelo mesmo motivo.

Claro que também há críticas justas, que se referem a suas seguidas contusões, seu alto salário e sua vida noturna agitada, por exemplo. Até concordo em parte com essas críticas. Mas acho que o jogador tem outras qualidades importantíssimas pra equipe, que não podem ser esquecidas.

Fred é um jogador diferenciado. É claro que tem fases boas e más. Porém, no elenco atual, é dele (e do Deco) que podemos esperar algo mais, como uma tabela bem feita, um passe de primeira, etc. Do resto podemos esperar muita dedicação, empenho, mas nada de brilhantismo.

Fred também é o líder do atual elenco. Na Libertadores deste ano, muitos torceram o nariz e disseram que ele mandava na equipe. Ora, se manda é porque deixam mandar. Eu conheço muita casa onde quem manda é o cachorro. Os donos da casa são tão fracos, tão indecisos, que é o mascote que decide a hora de acordar, a hora de comer, que móveis ficam ou não na sala... Nesses casos, não adianta mandar o bicho pro canil. Além disso, não podemos esquecer que essa liderança sobre o grupo foi fundamental na arrancada de 2009, quando ele chamou a responsabilidade pra si e tirou o peso das costas da equipe.

Fred é um jogador de grupo. Prova maior disso, tivemos na Copa América. O atacante podia ter livrado sua barra, convertido o seu pênalti... Mas não, isso seria egoísmo, coisa de ¨traíra¨. Se três companheiros já haviam desperdiçado suas cobranças, ele tinha que solidarizar-se.

Mas, acima de tudo, nosso camisa 9 é um valente. Não foge de cara feia, não tira o pé de dividida. Pode parecer pouco, mas no futebol atual, cheio de ¨craques¨ que passam mais tempo no cabeleireiro do que treinando, faz toda a diferença. Inclusive, foi essa a característica que o levou de volta a seleção. O Mano sabe que, na hora que a coisa encrespar, o Pato pode virar um ensopado.

O time inexplicável

Cruzmaltinos desse planeta,

não dá pra entender nossa equipe... No meio da semana, fica martelando a meta do Bahia, consagrando o goleirinho mulambo deles e sofrendo pra empatar no último segundo de jogo. Aí vem o final de semana e enfrentamos o poderoso tricolor paulista: vice-líder, fora de casa, com um tabu de 22 anos sem vencer os bambis no morumbicha em campeonatos brasileiros... E sapecamos 2x0 neles! Realmente, a impressão que tenho é que desse time do Vasco podemos esperar qualquer coisa. Até o título.

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E o time continua superando as minhas expectativas. Com a vitória de hoje, chegamos aos 24 pontos, dois a mais que os 22 que eu esperava ter hoje...

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A convocação fez bem demais ao Dedé. Hoje jogou como um leão, não dando oportunidades aos atacantes tricolores... Desse jeito, fica cada vez mais difícil segurar o mito na Colina...

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Outro que vem se destacando é Diego Souza. O banco parece ter feito bem ao nosso camisa 10, que vem se mostrando um excelente jogador quando tem a bola nos pés. Domínio perfeito, boa visão de jogo... Um meia que seria titular em qualquer clube brasileiro.

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Será que Monsieur Gomes não vai rever sua posição em relação à lateral-esquerda? Hoje, até Jumar, jogando improvisado, foi melhor do que o Márcio Careca. Aliás, na quinta-feira ele errou tudo que tentou e ainda conseguiu tomar um vermelho infantil no fim do jogo. E será que foi por acaso que o gol saiu logo que ele deixou o gramado?

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E o desembargador Adolpho Andrade Mello decidiu por manter a realização das eleições para a presidência do Vasco para a próxima terça-feira, dia 2 de agosto... Porque será que eu tenho a impressão de que a luta está só começando, e que a oposição ainda tentará muitas artimanhas para evitar a inevitável vitória da chapa que trouxe o Vasco para o topo novamente?

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Tropeço imperdoável

Já disse aqui que alguns times grandes, embora joguem a série A, permanecem em uma série B psicológica. O Atlético, sem dúvida nenhuma, é um deles. Na verdade, nem sei se ainda podemos dizer que o Atlético é grande. Se levarmos em consideração a torcida, sim, o Galo é grande. Agora, se o critério for conquistas, o time mineiro (com apenas 1 brasileiro a longínquos 40 anos) pertence ao segundo escalão do futebol brasileiro, junto com Coritiba, Sport, Botafogo, etc.

Além disso, o Atlético está quase na zona de rebaixamento, com técnico ameaçado, torcida pressionando... Por tudo isso, não dá pra entender por que o Flu respeitou tanto o time mineiro. Com uma escalação equivocada (até quando o Abel insistirá nesse 4-5-1?), o tricolor não agrediu o time mineiro. Ficou aguardando, tocando a bola de lado, esperando sei lá o quê. Podíamos ter matado o jogo no primeiro tempo, quando o adversário estava nervoso e inseguro. Mas como nada fizemos, o Atlético foi ganhando confiança, se arriscando mais ao ataque.

No segundo tempo a coisa mudou de figura. O Atlético se lançou ao ataque, e mesmo sem muita qualidade, começou a rondar o gol tricolor. Nosso goleiro (que vem mostrando muita segurança, diga-se de passagem) já tinha sido obrigado a fazer uma ou duas defesas importantes, quando acabou acontecendo o inevitável.

Daí pra frente foi um bombardeio tricolor, com um festival de gols perdidos e cruzamentos errados. Aliás, essa é uma cena que tem se repetido à exaustão: nossos zagueiros e atacantes bons de cabeça na área, e o cruzamento vem por baixo. É impressionante como Carlinhos (principalmente), Mariano, Souza e Marquinho não conseguem acertar um cruzamento. No próximo treino, o Abel tem que separar esses jogadores e deixá-los de castigo, brincando de “cruzinha” até cansar. Garanto que será produtivo.

Independente disso, no fim ficou a impressão de que o Flu perdeu porque não teve gana de vencer. Faltou jogar como favorito, se impor como o atual campeão. Um tropeço imperdoável.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Mito

Cruzmaltinos desse planeta,

quem me conhece ou quem acompanha o blog há algum tempo deve saber que eu não torço pela Seleção Brasileira. Não é uma questão de torcer contra (embora alguns jogadores me façam torcer contra - Neymar, Roberto Carlos, Robinho), mas mais uma coisa de falta de empatia. Desde que eu tinha 9 anos de idade e vi a seleção do Lazaroni tapando a logo da Pepsi na foto oficial eu entendi que aqueles caras da blusa amarela estavam mais preocupados com o tutu do que com a bandeira... Talvez por isso eu nunca mais tenha ligado para as listas de convocados, mesmo quando incluíam jogadores vascaínos. Porém, hoje foi diferente.
Acompanhei a carreira do zagueiro, desde quando a torcida pegava no pé dele - eu inclusive - até sua consagração recente. As declarações de que hoje seria o dia mais feliz de sua vida me deixaram feliz. Mesmo sabendo que isso aumenta o olho grande em cima do zagueiro, mesmo pensando nos jogos que o camisa 26 vai nos desfalcar no Brasileirão, sim, eu fiquei feliz. Não tinha como se aborrecer com a realização dos sonhos de um cara que tem se dedicado tanto ao club que eu tanto amo. Sendo assim:

Parabéns, Dedé! Mostra pra eles porque em São Januário você se tornou O MITO!

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Eu disse que dava pra fazer um hat-trick. Batemos os três patéticos. Estamos 1 ponto acima das minhas projeções. Vamos lá! Rumo aos 72 pontos!

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O futebol hoje em dia, sobretudo no Brasil, passa por uma crise. Não é necessariamente uma crise de talento, ou uma crise de resultados. Essas daí se resolvem facilmente. Muda um técnico, passa uma geração, cedo ou tarde tudo volta para o que era antes. Muito mais grave do que isso é a crise de valores que temos hoje no futebol brasileiro.
Futebol é uma paixão, futebol é um negócio milionário, mas - acima disso tudo - futebol é um esporte, e como tal, exige que seus praticantes sigam uma determinada conduta ética. É aquilo que chamam de "espírito esportivo", que parece que foi eliminado do futebol.
O espírito esportivo diz que é preciso respeito não só pelas regras da competição, mas também respeito pelo adversário - tanto por sua integridade física quanto por sua honra.
Já escrevi sobre o "moleque" Neymar e os outros "moleques" do Santos. Humilhar o adversário - ofendendo ou fazendo palhaçadas em nome do "espetáculo" - não é uma atitude de esporte. É mais condizente com jogos de gladiadores.
Por falar em Gladiador, alguém devia falar para o Kléber que tentar tirar proveito da gentileza do adversário denota falta de caráter. No esporte, não vale tudo pra se dar bem. Não é só porque a regra não diz o contrário que esse tipo de coisa passa a ser permitido. Mais elevada que a proibição legal é a proibição moral. A justificativa de que o Flamengo não poderia reclamar porque abusava da cera faz sentido, também mostra falta de respeito do lado de lá, mas um erro não justifica o outro - mas isso o Gustavo Poli, do Globo, já falou melhor do que conseguirei.
Porém, a face mais grave do desrespeito ao adversário é aquela quando os adversários se esquecem que aquilo é só um esporte, e coloca em risco a integridade física de companheiros de profissão, como aconteceu no jogo entre os juniores de Vasco x Sport. A agressão aconteceu de maneira covarde, e o fato de ter sido em uma partida de garotos é emblemático: os valores que os mais jovens trazem, desde o início de suas carreiras, são esses.


O esporte é uma forma de competição que visa substituir as guerras na formação das pessoas. Formação física, psicológica, mental e de caráter.
E aí? Será que ainda dá pra chamar o futebol de esporte?


Bravura Indômita

Devo confessar: essa história de “Time de Guerreiros” nunca me agradou. Não me lembro bem quando começaram com isso, se foi na Copa do Brasil de 2007, na Libertadores de 2008, ou na façanha de 2009. Porém nos 3 casos, se é verdade que o Flu mostrou garra, mostrou também muito futebol. Exaltar apenas a veia guerreira desses jogadores, sempre me pareceu algo injusto, mais apropriado para os Jogos Militares.

Porém, é impressionante como o Flu cresce em situações extremas. Quanto mais improvável, melhor. Quanto mais o adversário abusa da violência, ou quanto pior o gramado, melhor pro Flu. Ontem, foi mais um exemplo disso.

Em um gramado deplorável e com uma arbitragem desastrosa, o jogo foi uma carnificina. Honrando as tradições gaúchas, os discípulos do Felipão desceram o sarrafo. E o mais interessante é que isso acordou o tricolor. Quanto mais o Palmeiras batia, mais o Flu se agigantava. Ontem, Marquinho só seria parado no tiro. Fred tinha os olhos de um maníaco, saltados da órbita; Diguinho mais parecia o Jack Nicholson, em O Iluminado; Edinho cresceu tanto que acabou a partida com 3,45 metros de altura; Gum babava feito um cão raivoso; e Márcio Rosário deixou Maicon Leite chorando, com medo até da própria sombra... e assim o Flu ganhou os 3 pontos e deu mais uma demonstração de sua bravura indômita.

Por isso, daqui pra frente, o melhor seria que o Flu mandasse todos seus jogos nas Laranjeiras, na Rua Bariri, ou no estádio do São Cristovão. Sempre que for preciso mostrar quem é mais macho, o Fluminense será vencedor.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pro restante de 2011

Cruzmaltinos desse planeta,

a tripulação da caravela vai se formando. Hoje, 20 de julho, se encerra a janela de transferências para o exterior, o escrete cruzmaltino conseguiu se manter e ainda trouxe reforços. Parece que nosso manager de futebol Rodrigo Caetano é leitor do Corneta, pois os reforços vieram mesmo para as posições que nós identificávamos como carentes. Para a zaga, veio o mediano Renato Silva e o desconhecido - mas cheio de boas referências - Victor Ramos. Pode até parecer que é pouco, mas como eles chegam para ser reservas da melhor dupla de zaga do Brasil, está tranquilo. A lateral esquerda, que já vinha sendo detectada como problemática, saiu Ramon e chegou Julinho. Acho que podemos nos deter um pouco mais nessa questão.

Ramon pediu para ser dispensado para se casar. Nada contra o amor, mas isso deveria ter sido planejado melhor. A menos que a moçoila estivesse de barriga e o pai dela estivesse com uma garrucha nas tuas costas, dava pra esperar até dezembro. Mas ele decidiu se casar, ok. Até aí, tudo bem. Ele foi liberado e não enfrentou o Patético Goianiense. Na semana seguinte, nada mais natural que o treinador Monsieur o deixasse no banco por uma partida - vai lá saber o que o lateral aprontou na noite de núpcias. E foi aí que o canhoto meteu os pés pelas mãos. Reclamou publicamente e declarou à imprensa que não aceitaria a reserva injustamente. Peraí: você deixa o time na mão no meio do campeonato, toma uma punição pra lá de branda e ainda começa a estrilar? Fala sério! Isso é inadmissível. É se achar insubstituível. Convenhamos: Ramon não tem sido peça fundamental da equipe desde a série B, e só permanecia na equipe titular porque seu substituto - Márcio Careca - é daqueles jogadores que podemos chamar no máximo de "esforçado". Por outro lado, Julinho foi um dos destaques da Copa do Brasil. Lateral habilidoso, rápido, foi um dos principais responsáveis pela eliminação do São Paulo e quase complicou a vida do Vasco com seu gol em São Januário. Os boatos de que ele acertaria com o Corinthians me fizeram descartá-lo da lista de possíveis transferências - o que se mostrou precipitado - mas isso não o torna menos desejado, pelo contrário. Era um dos grandes laterais esquerdos disponíveis no mercado brasileiro - talvez o melhor - e chega agregando muita qualidade ao time. Minha impressão da história? Apesar das diversas negativas de Rodrigo Caetano, o Vasco já estava negociando com o lateral avaiano há algum tempo. Ramon, vendo que saíria do grupo de titulares, arrumou uma briga esfarrapada e forçou uma negociação com o Corinthians. No fim das contas, foi ótimo, já que nos facilitou a contratação de Julinho. Não guardo mágoas de Ramon, pode ser até que ele tenha agido por orientação do empresário ou coisa do tipo, mas nessa história ele saiu com fama de mimado e imaturo. Que os tempos no grande império da malocagem paulista ensinem alguma coisa ao promissor camisa 33.


No meio, ficamos sem modificações. Ou melhor, a novidade foi a permanência de Fellipe Bastos e Eduardo Costa. Estão longe de ser os volantes firmes que eu quero para disputar a Libertadores, mas ainda temos 6 meses para conseguirmos reforços pra competição continental, por enquanto está de bom tamanho. E para aqueles que duvidavam da qualidade do Reizinho: Quem é Rei não perde a majestade. Nesses 3 primeiros jogos, já tivemos um gol, duas assistências e apenas 9 passes errados. Nosso meio-campo é tão forte que jogadores como Enrico e Jéferson, que seriam titulares em muitos times da Série A, acabaram deixando o clube da colina.

Para o ataque, da arábia chega o veloz "Mestre" Kim. Não é o atacante dos meus sonhos, mas com certeza chega para incomodar o acomodado Chico Bento. Se souber correr conduzindo a bola, sem deixá-la pra trás, já está de bom tamanho. Assim, nosso time para o segundo semestre deve ser montado desse jeito:

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Já vencemos o Patético Goianiense e o Patético Babacaense. Que tal vencermos o Patético Mineiro para conseguirmos um Hat Trick? Mesmo com os desfalques de Fagner, Felipe e Juninho, é possível.

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Fiquei um tempo sem cornetar (mudança de cidade, essas coisas) e acabei não comentando o novo uniforme. Sinceramente? Não gostei. Já tive a oportunidade de ter a camisa em mãos e a impressão que dá é que o uniforme é pirata. O excesso de informações dos patrocinadores no peito e nas mangas poluem a camisa. A logo da CBF pela conquista da Copa do Brasil me pareceu tola, e ajudam a piorar o layout já tumultuado da parte superior do uniforme. Pra não dizerem que está tudo errado, gostei dos novos meiões, listrados. Mas no geral, essa bola a Penalty mandou pra fora.

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Em compensação, a camisa comemorativa da volta do Reizinho da Colina é genial. Já está na coleção!

sábado, 16 de julho de 2011

Esperando o carnaval chegar...

Essa semana o nosso querido clube faz aniversário. Porém, sopraremos as 109 velinhas já pensando na 110ª. Isso ficou bem claro nessa semana. Não apenas pelo jogo de hoje, horroroso por sinal, mas pelo comportamento da diretoria durante toda a semana. O Fluminense já abandonou 2011 e só quer saber de 2012.

Não é segredo pra ninguém que o Flu deve até a alma. A diretoria anterior depenou o clube. O dinheiro farto do patrocinador ajudou a mascarar os absurdos da administração de Horcardes e Cia.. O Flu hoje é um time quebrado, com uma dívida de quase 400 mi, sem jogadores próprios, e sem patrimônio. Pra piorar, a diretoria anterior adiantou as receitas da TV dos próximos anos, e ainda deixou desfalques que acabam levando a penhoras e multas judiciais.

Diante desse quadro tenebroso a atual diretoria, com alguma dose de razão, prioriza a organização das contas e a melhoria da estrutura. Por conta disso, jogou fora o primeiro semestre, com Libertadores e tudo, e agora, ao vender o nosso principal jogador e não contratar ninguém, estamos abrindo mão do segundo semestre.

Espero que ao menos essa pré-temporada de 7 meses sirva para prepararmos um bom time para o ano que vem, com alguns garotos (que o Abel, inteligentemente, vem lançando), reforços de verdade (nada de Rafael "bichado" Sóbis), e sem Márcio Rosário, Carlinhos, Júlio César, Souza, Araújo, Rodriguinho, etc e etc...

ST

domingo, 10 de julho de 2011

Muita briga e pouco futebol

O futebol é engraçado. Algumas vezes, após vitórias, achamos que vai tudo bem, e o tempo mostra que não é bem assim. Da mesma forma, derrotas podem dar a impressão de que está tudo errado, o que nem sempre é verdade. É claro que uma derrota em um Fla-Flu é sempre ruim. Mas, quando analisamos a partida, percebemos que não devemos desacreditar todo o trabalho por causa de um mau resultado.

O jogo não foi bom. Tricolores e rubro-negros não tem motivos para estarem eufóricos. Mas não dá pra negar que o gol foi o único lance de ataque do time da Gávea, que não criou nada antes ou depois disso.

O Flu foi superior durante todo o jogo. Marcou bem, mandou bola na trave, ameaçou com o Ciro, e acurralou o Flamengo. Mas faltou talento. O Flu foi guerreiro, correu, brigou, mas faltou um jogador que desequilibrasse. Sem jogadores como o Conca, Fred e Deco, o Flu se torna um time de operários, com muito brio, mas sem nenhum brilho.

Entendam, amigos, que não há neste comentário nenhum chororô. Não vale a pena gastarmos nosso tempo lamentando nossa falta de sorte ou reclamando do juiz - que não expulsou o Airton (que agrediu o Souza), não marcou pênalti no Marquinho (em lance com o Júnior César), e deixou que o Welinton e o Willians fizessem 15 faltas cada sem nenhum amarelinho. O adversário ganhou porque foi mais competente, e aproveitou a única chance que teve. O Flu correu e brigou, mas como o esporte era futebol, e não maratona ou judô, acabou perdendo. Vida que segue.