
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
A ignomínia

domingo, 31 de julho de 2011
Flamengo x Santos na latinha

O lugarejo fica próximo a uma represa construída há décadas. E ao mesmo tempo, é servido com serras de pedra maravilhosas, cachoeiras e uma vegetação diferente da que estamos acostumados na zona da mata de Minas. O vento em Lapinha da Serra, seu nome completo, canta forte, nesta época de inverno. Não sou especialista, mas parece a brisa do lago indo e voltando, do entardecer até o meio-dia. Porém, incrivelmente, o local onde fiquei hospedado, apesar do canto das árvores, fazia menos frio do que o som anunciava lá fora. Era uma casa bastante simples, porém confortável até com geladeira e fogão, além de banho quente e rede na varanda. Sem conexão externa. Concentração na natureza, na revisão dos hábitos e energização para o semestre que iria começar.
É claro que não tive qualquer força para esboçar, "mulé, vou lá fora nessa ventania ver se encontro uma TV que passe o Flamengo". O vento tava muito forte e fomos para casa cedo. Olhei para o relógio algumas vezes. Cheguei a marcar num bloco de notas: 18:12, 18:35, 19:01, 19:44, 22h14. Me distraí e o jogo que tinha tudo para ser bom, já tinha começado. Antes da partida, tentei explicar pra Nina que era um momento especial, que o pessoal dos Santos podia querer crescer sobre o Fla, por conta do fiasco sepulcral da seleção brasileira etc etc. Não é totalmente, mas parecia vento passando. "Cê vai ver onde", perguntou, "po, não vou ver. Vou ouvir, fiz uma gambiarra no rádio do carro e vou ouvir a Rádio Globo". Na falta de um clipes, usei uma argola de chaveiro para contruir uma antena de recepção - a original não estava no lugar Já tinha passado muito tempo ouvindo jogo pelo rádio na juventude. E raciocinei que a transmissão deve estar bem mais evoluída que naquela época. E no alto da montanha, tinha certeza que os 1220 iriam pegar. E falo que foi uma transmissão limpa e somente em alguns momentos, perdia volume e ía lá embaixo, parecia que sairia do ar, mas voltava.
Quando liguei o rádio, o Garotinho demorou para falar o placar. Só soube praticamente quando o juiz apontou o penalti de Willians em Neymar. Depois dos 40'. Pela transmissão, fiquei achando que tinha havido rebote na cobrança. Só depois na TVque entendi direito o lance. Imaginei também que se tivesse ligado mais cedo, no início da partida, seria bem provável que ficasse puto e fosse para as cobertas. Mas Iansã, deusa dos ventos me conduziu por um encanto para os melhores momentos da partida e em um estado diferente da maioria das impressões contemporâneas desse espetáculo que é o futebol. Gérson, disse que pelo VT não tinha sido falta. Acho que foi, mas fora da área. Enfim, ainda bem que foi penalti, ainda bem que o Brasil tem Elano e o Flamengo o humor do Filipe.
Em seguida, o gol de Deivid. No intervalo, entrei em casa e expliquei pra Nina o que estava acontecendo. E ela sorriu, mais até pela minha empolgação do que pelo emocionante da partida. Lembrei do pai dela. Sá Chica devia estar chocado com a zaga do mengão e seu coração a mil. Voltei pro carro a tempo de ouvir os gols. Como haviam sido seis, o intervalo só repetiu dois - imaginei que o tempo deveria estar contadinho e não dava pra por os outros. Foram muitas emoções para um tempo só. Comentários e conversa pra caramba. No segundo tempo, apesar do gol de Neymar, já estava satisfeito de não ser 3 x 0. Ouvi, antes da falta inesperada, o Garotinho dizer "é esse o Ronaldinho que todo mundo quer". Foi no lance em que entortou o soldado de Murici. Gérson, já havia alertado para a proeza e criatividade do craque naquele tipo de cobrança. O canhota pensou em todas as variáveis, inclusive em uma que ele tinha cobrado pelo Barcelona, pelo lado da barreira. Para ele, o melhor seria por cima da barreira mesmo. Deu no que deu. Ronaldinho driblou até o tricampeão, exxxxpecialista.
Ainda fiquei emocionado ao ouvir uma tabelinha Neves-Gaúcho em um templo que serviu de narração para Pelé e Coutinho. E no fim, quase um 6 x 4.
Desculpem o excesso de palavras e talvez a falta até de uma emoção mais autêntica, todavia tem momentos e coisas que não ainda que as palavras saem diferentes. Ouvir o jogo no carro me garantiu um momento duplamente único ou completamente ímpar. Apesar de quê, se for para acontecer o que aconteceu, prefiro cancelar o Sportv.
p.s.: só uma coisa me assusta. Jogo na rádio parece camisa de time do interior: tem mais anunciante do que partida. É exagero, mas tem hora que enche o saco.
O aguerrido camisa 9

Amigos tricolores,
Não tivemos, na tarde de hoje, uma atuação das mais brilhantes. Depois de uma primeira etapa ruim, conseguimos tirar proveito das facilidades que apareceram (o jogo era difícil até a expulsão justíssima de um eqüino cearense) e goleamos o adversário. Mas eu quero falar aqui de um personagem um tanto polêmico do nosso elenco: o nosso capitão.
Meu pai costuma dizer que o Fred é um dos maiores lobistas do futebol brasileiro. Tem lá sua parcela de verdade. Nosso atacante gosta de chamar os holofotes pra si, e por isso conta com a simpatia de boa parte da imprensa, que precisa de notícias para encher as folhas dos jornais. Outra parte da imprensa, a conhecida Fla-Press, gosta de malhar nosso jogador, muitas vezes pelo mesmo motivo.
Claro que também há críticas justas, que se referem a suas seguidas contusões, seu alto salário e sua vida noturna agitada, por exemplo. Até concordo em parte com essas críticas. Mas acho que o jogador tem outras qualidades importantíssimas pra equipe, que não podem ser esquecidas.
Fred é um jogador diferenciado. É claro que tem fases boas e más. Porém, no elenco atual, é dele (e do Deco) que podemos esperar algo mais, como uma tabela bem feita, um passe de primeira, etc. Do resto podemos esperar muita dedicação, empenho, mas nada de brilhantismo.
Fred também é o líder do atual elenco. Na Libertadores deste ano, muitos torceram o nariz e disseram que ele mandava na equipe. Ora, se manda é porque deixam mandar. Eu conheço muita casa onde quem manda é o cachorro. Os donos da casa são tão fracos, tão indecisos, que é o mascote que decide a hora de acordar, a hora de comer, que móveis ficam ou não na sala... Nesses casos, não adianta mandar o bicho pro canil. Além disso, não podemos esquecer que essa liderança sobre o grupo foi fundamental na arrancada de 2009, quando ele chamou a responsabilidade pra si e tirou o peso das costas da equipe.
Fred é um jogador de grupo. Prova maior disso, tivemos na Copa América. O atacante podia ter livrado sua barra, convertido o seu pênalti... Mas não, isso seria egoísmo, coisa de ¨traíra¨. Se três companheiros já haviam desperdiçado suas cobranças, ele tinha que solidarizar-se.
Mas, acima de tudo, nosso camisa 9 é um valente. Não foge de cara feia, não tira o pé de dividida. Pode parecer pouco, mas no futebol atual, cheio de ¨craques¨ que passam mais tempo no cabeleireiro do que treinando, faz toda a diferença. Inclusive, foi essa a característica que o levou de volta a seleção. O Mano sabe que, na hora que a coisa encrespar, o Pato pode virar um ensopado.
O time inexplicável

quarta-feira, 27 de julho de 2011
Tropeço imperdoável

Já disse aqui que alguns times grandes, embora joguem a série A, permanecem em uma série B psicológica. O Atlético, sem dúvida nenhuma, é um deles. Na verdade, nem sei se ainda podemos dizer que o Atlético é grande. Se levarmos em consideração a torcida, sim, o Galo é grande. Agora, se o critério for conquistas, o time mineiro (com apenas 1 brasileiro a longínquos 40 anos) pertence ao segundo escalão do futebol brasileiro, junto com Coritiba, Sport, Botafogo, etc.
Além disso, o Atlético está quase na zona de rebaixamento, com técnico ameaçado, torcida pressionando... Por tudo isso, não dá pra entender por que o Flu respeitou tanto o time mineiro. Com uma escalação equivocada (até quando o Abel insistirá nesse 4-5-1?), o tricolor não agrediu o time mineiro. Ficou aguardando, tocando a bola de lado, esperando sei lá o quê. Podíamos ter matado o jogo no primeiro tempo, quando o adversário estava nervoso e inseguro. Mas como nada fizemos, o Atlético foi ganhando confiança, se arriscando mais ao ataque.
No segundo tempo a coisa mudou de figura. O Atlético se lançou ao ataque, e mesmo sem muita qualidade, começou a rondar o gol tricolor. Nosso goleiro (que vem mostrando muita segurança, diga-se de passagem) já tinha sido obrigado a fazer uma ou duas defesas importantes, quando acabou acontecendo o inevitável.
Daí pra frente foi um bombardeio tricolor, com um festival de gols perdidos e cruzamentos errados. Aliás, essa é uma cena que tem se repetido à exaustão: nossos zagueiros e atacantes bons de cabeça na área, e o cruzamento vem por baixo. É impressionante como Carlinhos (principalmente), Mariano, Souza e Marquinho não conseguem acertar um cruzamento. No próximo treino, o Abel tem que separar esses jogadores e deixá-los de castigo, brincando de “cruzinha” até cansar. Garanto que será produtivo.
Independente disso, no fim ficou a impressão de que o Flu perdeu porque não teve gana de vencer. Faltou jogar como favorito, se impor como o atual campeão. Um tropeço imperdoável.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
O Mito


Bravura Indômita
Devo confessar: essa história de “Time de Guerreiros” nunca me agradou. Não me lembro bem quando começaram com isso, se foi na Copa do Brasil de 2007, na Libertadores de 2008, ou na façanha de 2009. Porém nos 3 casos, se é verdade que o Flu mostrou garra, mostrou também muito futebol. Exaltar apenas a veia guerreira desses jogadores, sempre me pareceu algo injusto, mais apropriado para os Jogos Militares.Porém, é impressionante como o Flu cresce em situações extremas. Quanto mais improvável, melhor. Quanto mais o adversário abusa da violência, ou quanto pior o gramado, melhor pro Flu. Ontem, foi mais um exemplo disso.
Em um gramado deplorável e com uma arbitragem desastrosa, o jogo foi uma carnificina. Honrando as tradições gaúchas, os discípulos do Felipão desceram o sarrafo. E o mais interessante é que isso acordou o tricolor. Quanto mais o Palmeiras batia, mais o Flu se agigantava. Ontem, Marquinho só seria parado no tiro. Fred tinha os olhos de um maníaco, saltados da órbita; Diguinho mais parecia o Jack Nicholson, em O Iluminado; Edinho cresceu tanto que acabou a partida com 3,45 metros de altura; Gum babava feito um cão raivoso; e Márcio Rosário deixou Maicon Leite chorando, com medo até da própria sombra... e assim o Flu ganhou os 3 pontos e deu mais uma demonstração de sua bravura indômita.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Pro restante de 2011





sábado, 16 de julho de 2011
Esperando o carnaval chegar...
Essa semana o nosso querido clube faz aniversário. Porém, sopraremos as 109 velinhas já pensando na 110ª. Isso ficou bem claro nessa semana. Não apenas pelo jogo de hoje, horroroso por sinal, mas pelo comportamento da diretoria durante toda a semana. O Fluminense já abandonou 2011 e só quer saber de 2012. Não é segredo pra ninguém que o Flu deve até a alma. A diretoria anterior depenou o clube. O dinheiro farto do patrocinador ajudou a mascarar os absurdos da administração de Horcardes e Cia.. O Flu hoje é um time quebrado, com uma dívida de quase 400 mi, sem jogadores próprios, e sem patrimônio. Pra piorar, a diretoria anterior adiantou as receitas da TV dos próximos anos, e ainda deixou desfalques que acabam levando a penhoras e multas judiciais.
Diante desse quadro tenebroso a atual diretoria, com alguma dose de razão, prioriza a organização das contas e a melhoria da estrutura. Por conta disso, jogou fora o primeiro semestre, com Libertadores e tudo, e agora, ao vender o nosso principal jogador e não contratar ninguém, estamos abrindo mão do segundo semestre.
Espero que ao menos essa pré-temporada de 7 meses sirva para prepararmos um bom time para o ano que vem, com alguns garotos (que o Abel, inteligentemente, vem lançando), reforços de verdade (nada de Rafael "bichado" Sóbis), e sem Márcio Rosário, Carlinhos, Júlio César, Souza, Araújo, Rodriguinho, etc e etc...
STdomingo, 10 de julho de 2011
Muita briga e pouco futebol
O futebol é engraçado. Algumas vezes, após vitórias, achamos que vai tudo bem, e o tempo mostra que não é bem assim. Da mesma forma, derrotas podem dar a impressão de que está tudo errado, o que nem sempre é verdade. É claro que uma derrota em um Fla-Flu é sempre ruim. Mas, quando analisamos a partida, percebemos que não devemos desacreditar todo o trabalho por causa de um mau resultado.O jogo não foi bom. Tricolores e rubro-negros não tem motivos para estarem eufóricos. Mas não dá pra negar que o gol foi o único lance de ataque do time da Gávea, que não criou nada antes ou depois disso.
O Flu foi superior durante todo o jogo. Marcou bem, mandou bola na trave, ameaçou com o Ciro, e acurralou o Flamengo. Mas faltou talento. O Flu foi guerreiro, correu, brigou, mas faltou um jogador que desequilibrasse. Sem jogadores como o Conca, Fred e Deco, o Flu se torna um time de operários, com muito brio, mas sem nenhum brilho.
Entendam, amigos, que não há neste comentário nenhum chororô. Não vale a pena gastarmos nosso tempo lamentando nossa falta de sorte ou reclamando do juiz - que não expulsou o Airton (que agrediu o Souza), não marcou pênalti no Marquinho (em lance com o Júnior César), e deixou que o Welinton e o Willians fizessem 15 faltas cada sem nenhum amarelinho. O adversário ganhou porque foi mais competente, e aproveitou a única chance que teve. O Flu correu e brigou, mas como o esporte era futebol, e não maratona ou judô, acabou perdendo. Vida que segue.



