segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os sonhos não morrem


Era ainda um pré-adolescente, com algumas espinhas na cara, quando dei meu primeiro beijo. Eu tinha 12 anos. Foi só um estalinho numa garota chamada Juliana, na pracinha de Eugenópolis. Isso foi em janeiro de 1989. Nesse mesmo dia, o Fluminense decidiria com o Vasco uma vaga nas semifinais da Copa União de 88, que havia tido sua fase final adiada. O Flu jogava pelo empate porque vencera a primeira partida por 1 a 0, gol de Zé do Carmo, contra. E foi um jogão. O tricolor saiu na frente com um golaço de Donizete. Mas o Vasco empatou e depois virou, com um gol nos acréscimos. O resultado levou a decisão da vaga para a prorrogação. Meu Deus, que sofrimento. Até que no primeiro minuto da etapa final do tempo extra, um tal de Zé Maria, que eu nunca mais ouviria falar, colocou o Flusão em vantagem. E no finalzinho, Washington, o verdadeiro, encobriu Acácio e levou o Fluminense para as semifinais. Naquele dia, dei meu primeiro beijo e sonhei pela primeira vez com o meu tricolor campeão brasileiro.
Pra quem não conhece a história, o Flu não chegou nem à final daquele campeonato. Foi eliminado pelo Bahia, que acabaria campeão. Foi minha primeira grande tristeza no futebol.
Nossa, mas o tempo passa muito rápido. Já estou na casa dos 30 anos e ainda não vi o Flu campeão brasileiro. Nesse tempo, tive algumas namoradas, me casei, tive duas filhas, me divorciei, fiz duas faculdades, operei o coração por duas vezes, meu pai faleceu e o Fluminense… bom, o Fluminense vocês já sabem.
Eu poderia ter me divorciado do Fluminense também. Me daria menos dor de cabeça. Poderia fazer de conta que ele morreu. Ficaria só a saudade. Mas não, me recuso a abandonar o pavilhão tricolor. Sinto como se esse clube fizesse parte do meu corpo. É como um órgão vital. Se ele parar, eu paro junto. Eu respiro Fluminense, eu vivo Fluminense… sou viciado no Fluminense.
Decepções como a da Copa União de 88 se repetiram ao longo desses anos. E nem estou falando dos três rebaixamentos seguidos. Falo de 1991, na derrota para o Bragantino no Maracanã. Na eliminação humilhante de 95, para o Santos. Nas derrotas para São Caetano, Atlético Paranaense e Corinthians em 2000, 2001 e 2002. E nas tristes decisões de Libertadores e Sul-Americana para a LDU, em 2008 e 2009. Por tudo o que já passamos, merecemos o Brasileiro desse ano mais do que nenhuma outra torcida. Não que sejamos melhores que os outros, não me entendam mal. É apenas uma questão de justiça. Já estivemos tão perto, tantas vezes e nada. Chegou a hora, torcida tricolor. São seis jogos para o paraíso. Nelson Rodrigues diria nesse momento que “uma torcida vive e influe no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida tricolor leva com enorme paixão sua presença para dentro dos gramados. Quando o Fluminense precisa de um milagre, os tricolores vivos, os doentes e os mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas”. Portanto, o que são seis jogos para quem esperou a vida toda? Esse é o nosso momento e ninguém vai nos tirar essa taça.
Ainda parafraseando Nelson Rodrigues, “o Fluminense nasceu com a vocação da eternidade e quando se fala em eternidade e Fluminense, os milagres acontecem”.

8 comentários:

Renato Saldanha disse...

É companheiro... Eu sou um pouco mais novo do que vc, e não lembro quase nada de 88. De 91 eu já lembro alguma coisa, mas para mim, a mais doída foi a final da copa do Brasil de 92. Nunca vou esquecer a frustração e a raiva que senti naquele dia. Não foi só a derrota, foi a forma como ela veio. O sentimento de injustiça, a certeza de ter sido roubado, enfim, tudo isso me marcou muito... Detalhe: Esse fim de semana eu conversava sobre esse jogo com a irmã do Caíco (ex-jogador e autor do gol do Inter no primeiro jogo da final), alegria de uns, tristeza de outros... Mas amanhã eu estarei lá naquele estádio amaldiçoado na beira do lago Guaíba, pra mais uma vez ver o Flu ganhar. E quando acabar o jogo, e Flu for o vitorioso, faltarão apenas 5 jogos para o tão sonhado título. Beberemos!
Saudações tricolores!
Renato Saldanha

Renato Saldanha disse...

Ah! Esqueci de dizer. Moro em Porto Alegre desde 2005, e esse é o meu retrospecto no Beira-Rio:
Em 2005, 2 x 2 (O inter saiu na frente, o Flu virou e eles empataram na última bola do jogo, numa falta do Jorge Vagner).
Em 2006 eu não fui no jogo e em 2007 vi o Flu passear, 4 x 1 com direito a atuação de gala do Thiago Neves.
Em 2008 outra vitória, 2 x 0 pro Flu, destaque pro golaço do Romeu.
Ano passado o Flu perdeu de 4 x 2, no jogo de estréia do Ruy Cabeção com a camisa do Flu (tempos difíceis...).
Resumo da ópera: tenho 2 vitórias, 1 empate e apenas 1 derrota. Tenho certeza que amanhã ampliarei essa vantagem. Um abraço
Renato Saldanha

Rodrigo Dias disse...

Obrigado Renato, pelos comentários. Eu também me recordo da final de 92, contra o Inter. O árbitro era o José Aparecido de Oliveira, que acabou envolvido num escândalo, no ano seguinte, acusado de aceitar suborno para prejudicar a Argentina contra a Colômbia, pelas Eliminatórias para a Copa. Foi realmente muito triste. Mas sinto que agora a história será outra. Seremos campeões.

Marcone disse...

Nós, tricolores somos assim mesmo, passionais ao extremo, vamos da euforia a resignação em segundos. Mas o futuro (05/12) nos guarda uma surpresa, não sei, mas há uma energia pairando no nar, deve ser o pó de arroz, quem sabe!!!!!

Anônimo disse...

Engraçado, senhores. Digitei aqui no google "sonhos" e me veio, em uma das opcoes, esse texto. O que posso dizer sobre sonhos como esse? Que afalta aí alguém acordar para a vida.
Senhor Rodrigo, o senhor disse que teve algumas namoradas, se casou, teve filhos, divorciou, operou, etc. O senhor se deu conta de que colocou um time acima de tudo na sua vida. Tudo passou, as pessoas da vida real, e o seu time fica! Será que o que fica vai te dar um beijo de bom dia, um "eu te amo, papai", e quem foi que estve com vc qdo vc operou? Será que foi alguém do seu time.
Consigo entender paixoes, mas não dessas que passam sobre as prioridades básicas de um ser humando saudável: dar valor às pessoas, por exemplo.
deus tenha piedade de nós!

Anônimo disse...

Ainda estou aprendendo a lidar com essa tal internet, por isso, nao sabia ue deveria colocar meu nome aqui, no comentário que fiz.
Então vai: João José Marques, de Atibaia.

RDias disse...

Sr. João José Marques, obrigado pelo comentário. Mas gostaria de esclarecer que não coloco o Fluminense como prioridade na minha vida. Mas não vejo nenhum problema em sonhar com ele campeão Brasileiro. É um desejo de garoto que espero realizar. Só isso. E à propósito, minhas filhas estão em primeiro lugar na minha vida. Apenas pra constar.

RDias disse...

Sr. João José Marques, obrigado pelo comentário. Mas gostaria de esclarecer que não coloco o Fluminense como prioridade na minha vida. Mas não vejo nenhum problema em sonhar com ele campeão Brasileiro. É um desejo de garoto que espero realizar. Só isso. E à propósito, minhas filhas estão em primeiro lugar na minha vida. Apenas pra constar.